segunda-feira, 10 de março de 2014

É preciso se reinventar...

Teve o privilégio de experimentar os prazeres e as sensações que a vida lhe ofertou. Sorveu as delícias dos momentos aproveitados minimamente em cada instante das emoções indescritíveis. Era como se a dor estivesse sumido por completo ou viajado para um lugar distante sem passaporte nem passagem de volta. Enfim, encontrou de repente a vontade de viver, o sentido para seguir adiante impulsionado pelas paixões incessantes que explodem desproporcionadamente.
Agora podia vislumbrar novas paisagens, respirar aliviadamente e sentir a intensidade de tudo ao seu redor. Tinha a consciência de que aquelas percepções eram frutos de um novo estágio do seu SER, era como se estivesse metamorfoseando cada estrutura da sua individualidade. Já não se reconhecia e quem não o conhecesse iria se deparar com um alguém totalmente modificado pelo tempo, mesmo não sabendo quem era.
Pensou em descrever tudo, externar os instantes em verbalizações metafóricas carregadas de frases feitas. Primou pelo silêncio da voz mas gritou em expressões dos sentimentos em ações entorpecentes. Reencontrou elementos do seu passado distante em uma nova roupagem que até conseguiu digerir tudo como que em uma dupla personalidade ou quem sabe numa experiência bipolar. Estava envolto a várias pessoas mas se sentia sozinho, perdido bem no momento em que finalmente tinha se encontrado e por mais que se visse em uma posição confortável, teve que fazer escolhas intempestivas.
Tomou a atitude de se reinventar pois estava mais que decido a não sofrer novamente nem tão pouco ser a ferramenta causadora de futuras dores para os outros. No entanto, diante de qualquer escolha por mais simples que fosse as consequências poderiam ser demolidoras mas necessárias para o seu aprimoramento.
Quando se vive apenas movido pelas paixões estas podem impulsionar a velocidades exageradas. Quando se vive apenas direcionado por amores estes podem te orientar para as estradas mais adequadas. Por isso, não se deve dar exclusividade prioritária apenas a uma dessas vertentes, precisamos seguir adiante (paixão) e saber para onde estamos nos direcionando (amor) para que a vida tenha um sentindo, uma razão de ser, de estar, de ficar e de partir.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

A Deusa da natureza... A Senhora do AMOR!!!


Ela surgiu em meio as contradições que o mundo impõe, veio de mansinho como quem quer tudo mas não podia dizer nada. Estava cansada de tanto correr pela contra-mão da vida e se trazia um passado triste, já não tinha importância pois queria mesmo era ser notada para mostrar ao mundo tudo o que se transformara.
Não queria mais a indiferença dos insensíveis pois estava convicta das suas escolhas, mesmo sabendo que nem todos concordariam com seus atos. Tinha em si a confusão em seus desejos e apesar de assumir seus erros o que mais almejava era seguir em busca de amores, de novas paixões, de sentimentos que afloravam e que precisavam fluir em amplidões cada vez mais tempestivas. Como uma aprendiz se lançou nas sendas dos conhecimentos profanos, das visões seculares do mundo e das vivências de si mesmo, desprezando as impressões do sagrado que perfaziam sua existência até aquele instante. Era forte em suas decisões, corria os riscos que sabia encontrar com a certeza de uma alma ferida que gemia de dor e que sangrava de tanto insistir em algo que lhe determinava.
Apesar de tantas adversidades, tinha um sorriso que não era encontrado por aí e uma alegria que contagiava até mesmo os mais pessimistas. Sabia como conquistar aquilo que mais lhe ansiava, se sentindo elevada e a mais bela de todas as mulheres. E beleza era o que não lhe faltava, talvez esta fosse a principal de suas qualidades(ou armas), pois tratava-se de uma beleza ímpar, de uma sublimidade que se esvarava nas múltiplas sutilezas dos seus gestos. Um paraíso repousante do olhar solitário e distante que da neblina de um coração frio fez se em instantes o sol que queima e derrete a saudade. Um misto de insanidade e razão na voz que entoa como que a descortinar uma nudez em forma de palavras carregadas de sussurros e gemidos mas que conduz aos enigmas que precisam ser decifrados para que nós meros seres humanos não sejamos devorados.
Na limpidez do seu corpo se fez o reflexo do que é perfeito e como raios que cintilam para todas as direções, o pulsar do seu prazer é algo que é mero resplandecer, que se espalha num perfume que de tão próximo deixa tudo acontecer. Sua pele é um labirinto para que aqueles que desconhecem suas sutilezas se percam embriagados, pelos desejos de tudo o que não pôde ser consumado.
Ela paralisa com seus movimentos, sensualiza com seus gestos, diviniza o que é secular, traz vida ao que precisa de um simples amar... E por saber ser o que é, mesmo não querendo em nada mudar sempre mostra um mistério no seu jeito de se dar. Desfaz o silêncio quando fala sobre o que quer e se abre quando está incomodada pois sente a segurança de ser mulher.
E como eu nem sei o que significa isto que por aí denominam AMOR, pois já sofri por querer tê-lo, fiquei paralisado em perceber o que agora ela me transformou e por isso me pergunto quem eu sou, para mim e para ela, pois não quero mudar, com o medo de um dia perder essa forma de amar.
Sei que estou preso, encarcerado e imobilizado com o anseio de me esconder desse mundo tão complicado, dos que não acreditam em quem está apaixonado e como um adolescente que descobre pela primeira vez os meandros de se entregar ao ser amado, fico aqui extasiado, aguardando enfim tê-la em meus braços e viver a emoção de um sentimento que há muito em mim está guardado.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Era Um Anjo Caído na Estrada...


Como todos os dias que surgiam em meio aos lugares mais tranqüilos, aquele despertar reservava esperanças e vinha ainda carregado de bagagens que insistiam em ser transportadas. Rumou pela estrada em busca de preencher os espaços do tempo com os afazeres diários e apto a se deparar com novos acontecimentos. Tudo transcorria na mais santa paz até que avistou ao longe um corpo caído no acostamento e ao lado uma poça de lama. Pensou de imediato como aquela criatura escapou de não estar submersa naquela água empoçada que de tanto estar ali já tinha se transformado em má água (ou mágoas).


Parou e rapidamente observou que alguns passantes já estavam a socorrer aquela mulher, decidiu seguir o seu caminho e ao se afastar um pouco dali uma intuição acometeu seus pensamentos decidindo voltar e vê melhor o que estava acontecendo ou até mesmo ajudar.


Retornou com o ar e a responsabilidade de quem poderia resolver qualquer incidente ou direcionar as providências mais eficazes. Ao se aproximar ficou inicialmente sem saber o que fazer e com a ajuda de outra pessoa tentaram acordar aquela mulher que aos poucos gemia com dor no braço que estava enfaixado em ataduras já gastas. Levantaram com a delicadeza de quem precisasse de muito mais do que aquele apoio, mas esperavam que nada de ruim pudesse se agravar. Ao abrir os olhos a mulher se deparou com aquela cena onde vários curiosos já se acumulavam e como a despertar de um sonho bom (mesmo caída na estrada ao lado de uma poça de lama) teve que encarar o pesadelo de uma vida tão amarga e cruel.

Aceitou ser levada a um lugar mais seguro e sentada em um troco de árvore tomou um copo d’água, suas primeiras palavras foram de revolta contra o que ela dizia ser ao homem que lhe abandonara e que a tinha espancado. Estava visivelmente embriagada e os sentimentos de raiva, ódio e vingança se misturavam aquela aparência bêbada que fisicamente era notória mas que em sua alma estava mais esmolambada e desprezível. Ela tinha permitido que alguém a tirasse a sua dignidade, a sua paz, a sua identidade e principalmente a sua vida e, portanto agora estava como que “pagando” por escolhas mal feitas, mas que já não poderia voltar e refazer o seu passado.

Doeu vê a situação miserável a que chega uma pessoa, como se vai ao fundo do poço (e ao lado da lama), logo se pôde fazer suposições acerca da condição humana, da construção do ser em um mundo tão cheio de possibilidades mas que alguns preferem fechar as portas para a sorte traçando um destino sem volta, pois tudo é cheio de barreiras, de dificuldades e empecilhos que impendem seguir.

A prisão a que a natureza humana impõe encarcera até mesmo os sonhos mais simples; aquela mulher estava perdida, caída e mesmo tendo a ajuda de algumas almas caridosas ela tinha que levantar e seguir sozinha mas estava fraca, sem perspectivas, sem confiança e não tinha mais o que perder.
Era um anjo caído na estrada...  

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Não precisamos de finais para a FELICIDADE...

E essas dicotomias que invadem nossas vidas  e que chegam a intrigar as decisões mais acertadas sem deixar espaço para nada, pois nada mais cabe nas entrelinhas de uma existência que está sempre à procura de escaladas cada vez mais audazes. É assim e tem que ser assim!!! Dizem os céticos e os acomodados com a rotina monótona de uma vida sensata sem emoção. No entanto, podemos fazer e ser diferentes e moldar as quatro estações em prol dos nossos prazeres e fazer tudo fluir livremente de uma forma que a vida transcorra levemente com a suavidade de uma pluma em um vento tranquilo que sem pressa de pousar.
Não tenho dúvidas e sei que ao chegar aonde eu nem saberia para onde ir, apenas sinto que este é o lugar, é a canção que preciso ouvir, é o sentimento que precisa aflorar e é com quem eu quero estar. É o AMOR a se fazer presente a me dizer que tenho muito mais do que isso para experienciar, que acontecimentos melhores ainda virão e que preciso estar cada vez mais lapidado, perceptivo e atento para absorver tudo em seus mais minuciosos detalhes.
Sinto como se em cada momento a vida me quisesse dizer algo, me mostrar um mundo que até então eu desconheço mas que em minhas conjecturas eu já penso saber de tudo. Puro engano, e por um segundo tudo muda, as coisas ficam diferentes e o que precisamos é a capacidade de adequação a tudo o que se apresenta. 
Não é o fim do mundo e quando as nossas impressões se tornam verdadeiramente perceptíveis tudo renasce e o que temos em volta de nós mesmos é algo inacreditável mas que existe.
É válido para alguns esperar o "Final Feliz" mas prefiro viver com a certeza de que não precisamos de finais para a FELICIDADE...

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Os Grilhões Já Foram Quebrados...

Era inevitável, tinha que acontecer e se era para ser então que fosse logo.
Para que adiantar sentimentos e emoções que represados insistem em querer vir à tona? E assim se fez com toda a disposição e com uma  força de um furacão, que não escolhe o momento nem o lugar. Tudo tinha que ser devastado, as folhas das árvores tinham que ser arrancadas para que fosse dado lugar para as flores que sempre chegam perfumando os ambientes mais insólitos. O que restou foi um pequeno raminho que de tão castigado pelo vento ainda teimosamente se dispôs a esperar pelo que viria.
Fez daquela raminho o motivo maior da sua fé e depositou toda a esperança em regá-lo não somente com a água do carinho, mas principalmente no cuidado absorto que somente o AMOR é capaz de fazer. Sabia que não estaria sozinho e que se fosse para recomeçar, teria a coragem e a disposição para que assim o fosse.
Contemplou tudo a sua volta e de forma inquieta revistou cada pedaço do que agora tinha ficado sem querer jogar nada fora, sem querer apagar o que ainda estava gravado. Apenas foi aos poucos juntado os pedaços não como um quebra-cabeças, mas como uma peça de mosaicos que ia compondo cores em um ambiente tão cinza. Não tinha um espelho para contemplar como estava sua face, mas sabia que pelo o que sentia apenas iria vê o que ele queria e não a realidade como realmente se mostrava.

Sentiu medo, mas dentro dele algo o impulsionava a seguir. Era como se agora não existisse mais passado e o presente era a configuração de um futuro que estava experimentando de uma forma leve e suave. Foi aí que abriu as janelas do seu ser, procurou os grilhões em seu corpo e na alma e de um espanto percebeu que há tempos eles tinham se quebrado e não existiam mais e que suas pernas poderiam correr livremente a lugares até então desejados. As lágrimas deram lugar a gritos de felicidade, não gritos desesperados, mas a exaltações a tudo o que a vida agora lhe reservava.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

A Vida Passa Tão Rápido


Por Marjorie Leite

As vezes parece que ninguém está notando. As vezes parece que todas as esperanças se foram e que só o que restou foram sonhos vazios. Por mais que tenhamos a certeza de que tem um Deus cuidando de tudo, de em vez em sempre queremos “dar uma mãozinha” e acabamos estragando algumas etapas. As vezes ansiedade toma a parte que só deveria ser da fé. A fé não é acreditar só por um momento é ser perseverante crendo. As vezes só o que queríamos é que ele(a) soubesse o quanto é especial. As vezes queremos sumir. As vezes nos pegamos procurando formas mirabolantes para sermos notados. As vezes só queríamos ser únicos pra alguém, assim como ele(a) é pra nós. As vezes só queríamos alguns centímetros a mais. As vezes SEI LÁ, só queremos ficar na nossa. As vezes, as vezes, as vezes..

Somos tão confusos. Sabemos o que queremos, até mudarmos da água pro vinho, mais uma vez.
A grande verdade é que estamos esperando que algo de extraordinário aconteça para que uma ignição seja acionada e façamos tudo aquilo que já sabemos que deveríamos fazer. A vida passa tão rápido, o triste é que só notamos isso quando ela já passou – na maioria das vezes -. Abraçamos pouco, enterramos nossos sentimentos como se eles fossem sempre um vilão pra nós, nos sufocamos com as exigências alheias e deixamos de viver uma parte essencial dessa nossa passagem aqui pela Terra, acreditamos mais em frases de Facebook e Twitter do que na palavra de DEUS, diminuímos nosso valor o tempo todo nos submetendo a situações muitas vezes humilhantes para ter um tantinho de carinho (induzido) de alguém que jamais enxergou o seu valor, fazemos do nosso Instagram nosso diário, olhamos pela janela dos nossos dias e pensamos: “Ah, como eu queria voltar atrás”.. Levamos nossos pesos para que possamos nos punir por tanto tempo perdido e acabamos por perder mais tempo, não colocamos aos pés da Cruz porque para que isso aconteça também precisaremos colocar nossas vontades lá, e “Ah, não, isso não”. Somos muito engraçados, queremos o prêmio, mas não queremos pagar preço nenhum. Talvez Deus não queira restaurar seus sonhos, sabia? Talvez Ele queira mudar todos eles. Graças a Deus algumas de nossas orações não são ouvidas, isso tiraria de nós um prazer e uma alegria tamanha de quando o plano dEle se realiza nós. Nossos desejos fazem com que foquemos em nós, e não há nada de nós suficientemente forte para nos tirar de onde estamos, por mais que tentemos, só conseguiremos gerar sonhos ocos, nossa essência está no alto.
Que confusão! Estamos vivendo nossos dias para resolver algo e nós mesmos criamos. Nos acostumamos a viver uma vida rasa porque temos medo de experiências mais profundas, não vencemos porque temos MEDO DE VENCER, medo de arriscar, medo de perder tudo .. e acabamos continuando sem nada. Preciamos deixar a covardia de lado, se existem ferramentas para realizar alguma coisa, invente, seja criativo. Se algo se perdeu no tempo? Corra atrás assim mesmo. Não adianta reclamar das coisas o tempo todo e não fazer nada. Qual o foco da sua vida? Será que vc tem suado, cansado, corrido.. mas em uma esteira cotidiana? Talvez estejamos mais preocupados com a velocidade do que com o caminho percorrido, estamos andando rápido, mas sem sair do lugar. Precisamos valorizar o “Viver um dia de cada vez”, afinal de contas, nenhum deles voltam. E aí? Como você tem aproveitado seus dias? São dias em que futuramente você vai olhar no Album de fotos e falar “Uau, como eu vivi bem”? Ou simplesmente você tem passado pela vida sem proposito, vivendo por viver?
Você só tem uma vida, usufrua. Diga que ama quem você ama, surpreenda alguém, comece a sorrir e não perca oportunidade de fazer alguém feliz e se alegrar, isso sim deixa um legado eterno.
O que você diria pra você ama se hoje fosse seu ultimo dia de vida?
DIGA HOJE! Qualquer dia realmente pode ser.


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Sentir é Estar VIVO...

Lágrimas nem sempre representam o sentimento de uma dor. Como vulcão que está prestes a uma erupção, deixamos que as nossas percepções acerca do que estamos vivenciando fervilhem dentro de nós até que em um determinado momento tudo é posto para fora de uma maneira incontrolável.
Aí, a convicção de que somos emocionalmente controlados e fortes se desfaz quando constatamos que a nossa fraqueza está justamente na incerteza como reagimos diante das investidas inesperadas dos acontecimentos. 
Sentir em demasia pode ser um defeito quando mergulhamos incessantemente, mas pode ser útil para nos provar que nas profundezas do nosso ser é que encontramos a fonte da vida...
"SENTIR É ESTAR VIVO E ESTAR VIVO É EXPERIMENTAR O AMOR DE DEUS."

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

O Euro-Aquilão

O dia vai surgindo iluminado pela imensidão do sol e tudo o que mais desejo é a calma dos dias de domingo que me fazem relaxar. Na estrada, a lentidão da travessia dava espaço à contemplação de um "balé" dos coqueiros que dançavam ao sabor do vento em um ritmo sincronizado dando as boas vindas aos que adentram à praia. O vento aumentando à medida que as ondas iam se agitando como que acompanhar cada sopro rajado ou contínuo na maré. E assim, destemido e calmamente me lancei num mar totalmente diferente daquele que costumeiramente velejo. A sensação de experimentar o novo se entrecruzava com a beleza das imagens paradisíacas que eu ia me deleitando. À cada onda cruzada ou descida na correnteza a sensação de FELICIDADE compensava todo o esforço de ter chegado. 
Um tombo inicial (comum aos que não estão acostumados com as intempéries do mar desconhecido) e o prazer de estar usufruindo tudo aquilo dava continuidade àqueles momentos e de repente dois ventos que se encontram, o euro, vento leste e o áquilo, vento norte (Euro-Aquilão) e uma onda maior (e essa era grande mesmo) me pega despercebido e me lança para o alto a me deixar fora de controle de modo que caio à deriva... Agora encontro dificuldades para retornar à praia e então de repente uma ajuda amiga suaviza o meu inicio de cansaço e eis que ao pisar na areia, olho para trás em direção ao mar e respirando aliviado solto um grito: 
 FOI DEMAIS!!!!

quarta-feira, 5 de junho de 2013

O Capitão de Seu Coração.

Acordou tão entorpecido que nem sabia ao menos se tudo o que tinha vivido nos momentos anteriores tinha sido um sonho, delírio ou uma resposta às suas alucinações, que foram compensadas pelo fruto insistente de tanto desejar o que ele queria e que por longos anos existia apenas num espaço vazio que era preenchido pela solidão e a desilusão da perda de quem ele mais amava. Não queria explicações, respostas ou lenitivos para o momento, pois como ele sempre acreditou, seguia com a certeza de que não existe destino ou pré-determinações pois talvez o que tinha experimentado foi o inesperado preparado para ser deliciado a dois.
Conseguia lembrar e sentir cada momento detalhadamente assim como se sucedeu e fez em seus pensamentos um retorno ao ponto inicial, aonde tudo o levou a sentir tanta felicidade. Viu-se há dias envolto em um turbilhão de inquietações e um desejo de ir em busca, não de uma reposta, mas do que seria a verdadeira causa de tanta solidão, de tanto aperto em seu peito, pois a saudade o machucava a ponto de impulsioná-lo a sair sem saber para onde e o que iria descobrir. Estava apenas disposto a encontrá-la, a saciar seus desejos e a mostrar-lhe os seus sinceros e mais transparentes sentimentos.
A estrada que escolheu foi a mais tortuosa e a poeira no caminho se misturava com a sua determinação de que a partir dali a dúvida não o acompanharia mais, pois estava convicto de que queria encontrá-la.
Tudo parecia uma fábula medieval aonde o Capitão que foi abandonado pelo seu exército, agora tinha que atravessar o vale de pedras vestido de uma armadura pesada empunhando uma lança para se defender dos ataques inimigos e procurando insistentemente a sua Princesa que o tempo ciumentamente os tinha separado e que em momentos possíveis estava prestes a explodir de paixão. As enormes pedras encenavam uma trilha em monólitos que iam formando figuras que brincavam com as nuvens e que aos poucos ia quebrando a monotonia da viagem e tornando o percurso mais prazeroso onde a esperança se misturava com ânsia da saudade.
Já cansado, mas disposto a continuar firme, eis que ele se depara com um lugar que até então pensou já ter estado, assim como aquelas sensações de déjá vú, como se já estivesse estado lá, ou sentido tudo aquilo. Era inevitável que os seus instintos não iriam lhe enganar justamente naquele instante e por isso mesmo se sentiu mais forte e confiante, algo em seus ouvidos gritava forte e o que ele conseguia escutar era simplesmente a frase:
-Oh! Eu sou o Senhor!!!
E foi dessa forma que ao avistar uma igrejinha que foi erguida em uma esplanada encostada no mais alto morro do lugar, num platô onde as nuvens acariciavam sua torre, que decidiu escalar toda aquela dimensão de rochas como que se fosse a sua última tentativa.
Ao chegar lá em cima e, olhando para baixo, foi que pôde perceber que não tinha sido tão difícil como pareceu no início, afinal, a paisagem e tudo o que o cercava o encheu de tanto fascínio que ele tirou parte da sua armadura e se dispôs a contemplar e sentir em seu corpo todas aquelas maravilhas do lugar: as nuvens acinzentadas e outras numa vermelhidão, pois eram penetradas pelos raios do sol que estava prestes a se pôr, os pássaros voavam em sintonia como que saudando toda aquela conquista e o vento frio que penetrava em seu corpo era como um abraço de boas vindas.
Lembrou de tudo que o teria levado até aquele lugar e por um momento de descuido deixou-se levar pelas lágrimas que caiam como que celebrando toda aquela transição em sua forma de viver e sentir-se a si mesmo. O choro foi como uma chave que abriu as portas para uma nova possibilidade, a oportunidade de encontrar a sua diva, a que o faria de tudo esquecer e o conduzi-lo-ia à dimensão do Amor Eterno.
Na penumbra do entardecer os seus olhos ainda molhados, aos poucos consegue visualizar a musa das suas aspirações, aquela que fez com que ele viajasse todos esses espaços. E ela vinha devagar se aproximando de uma forma tão descuidada que não teve como perceber que ele estava ali à sua espera, caminhava de uma forma tranqüila, o branco que a vestia lhe dava a impressão de que havia uma leveza nos seus gestos e através dos seus cabelos que cintilavam no ar, os seus olhos foram ofuscados a ponto de não enxergar aquele que estava a lhe esperar e passou por ele sem o reconhecer.
E foi assim seu reencontro, um instante displicente que em questões de segundos se eternizaram em um momento onde eles puderam estar novamente juntos. Ela seguiu o seu caminho e de uma forma contemplada ele a seguiu montanha abaixo, sempre a observar seus passos, seus gestos e a forma como tudo estava acontecendo e por algumas vezes ele até arriscou se aproximar dela, a fim de tentar fazer com que ela o percebesse, mas o caminho ainda era longo até em baixo e ela parecia não descuidar dos seus pensamentos (será que esses pensamentos emanados estavam direcionados para ele?).
A noite chegou ao momento em que eles finalizavam a descida e nesse momento ele já não tinha mais como continuar ocultando seus desejos e principalmente a vontade de tê-la em seus braços e foi assim que decidiu se lançar à frente dela e se mostrar da forma como estava, sedento de tanta paixão e feliz por estar ali. Tamanha foi a surpresa que ela teve que não resistiu e sem palavras preferiu economizar nas falas e compensar tanto tempo de distância com beijos, afagos, carícias e sussurros.
Durante horas e horas tiveram o mundo apenas para si mesmo, envoltos a uma sensação jamais experimentada por ambos.... O de um AMOR puro que mesmo sendo tão pleno, como todos os prazeres uma hora precisaria novamente ser posto a um final, ou quem sabe a uma pausa. Mais uma vez e sem muitas explicações nem justificativas eles tinham que se despedir novamente, sendo assim, não quiseram falar tanto e nem fazer novas promessas, apenas eternizar aqueles momentos em suas mentes.
Ele a deixou em meio às árvores de cravo que formavam o principal cenário do enlace e que testemunhariam mais uma despedida.

Assim, ele partira noite à fora tendo a felicidade como companheira e ela continuou seus passos, mas agora certa de que o mais breve poderia novamente estar com o Capitão do seu coração.

sábado, 1 de junho de 2013

sexta-feira, 24 de maio de 2013

O AMOR É UMA RENÚNCIA


Amar alguém é desistir de amar outros, é desistir por esse amor do amor dos outros.

Eu desisti de tudo!!!
A partir desse dia, dei-lhe todos os meus dias. Entreguei-lhe os meus sonhos, os meus segredos, as minhas convicções mais profundas.
NÃO ME QUEIXO!!!
Não sou ingênuo nem estúpido. Quando digo que o amor é renúncia, quero dizer que é assim para mim....
(Agualusa - Escritor Angolano)

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Estados de consciência ou colocar a consciência em um estar ao nosso lado?


Passamos a vida correndo em busca dessa “tal felicidade” e à medida em que ela aparece lá no finalzinho do túnel, pensamos que iremos deslumbrar seus prazeres e deleites, aí os preceitos e regras coercitivas nos arrebatam como que a impedir novos saltos e alçar voos pelos céus das ilusões risíveis...
É como se estivéssemos loucos para pular em um penhasco das boas sensações mas ainda existem os grilhões que nos prendem e que sempre estão a nos dizer que não devemos, que não somos capazes e que a vida não vale à pena de ser deliciada. 
De repente jogamos fora todo o temor e mergulhamos nos encantos das paixões sórdidas que nos acalentam o corpo e a alma, que afaga nossa autoestima e acaricia nossos tormentos.
Assim vamos seguindo, sem pudores e dispostos a encarar cada momento de êxtase como se estivéssemos incessantemente sedentos por mais e mais formas de amar, de se entregar e de sentir:
A vida em toda a sua plenitude!!!

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Por perdas todos nós passamos

"Perder o cabelo parece fichinha perto das coisas para as quais eu realmente precisei de coragem para encarar a perda..."

terça-feira, 23 de abril de 2013

Você já teve a sensação de que pegou o ônibus errado?


A vida não é um ensaio para um grande show que iremos estrear em um futuro bem próximo. A todo o momento somos convidados a estrear o espetáculo do instante presente aonde uma cobrança muito grande para que não erremos o script muitas vezes nos coloca em um estado de insegurança que nos remete a um sentimento de entorpecimento e nos torna insensíveis perante os momentos e os prazeres experimentados.
É interessante como temos a facilidade de permitir que o passado continue a nos prender com seus grilhões, a sufocar nossos sentimentos a ponto de não sermos capazes de mergulharmos em satisfações e pretensões advindas das horas inesperadas. O que está bom demais não pode ser continuado, nos lançando a solidões que nos impele a continuarmos seguindo sem a companhia dos que mais amamos, percebendo que o que mais queremos não pode ser realizado e que os nossos desejos são ameaças para o que arquitetamos como sendo a felicidade.
Os encontros inesperados, os lugares desconhecidos, os amores impossíveis, as palavras proferidas com sinceridade mas que não foram compreendidas e tudo o que nos surpreende é o que nos remontam a estados existenciais que marcarão por quase todo o sempre a nossa vida. Temos a vontade de gritar de tanto sofrimento, mas o nosso silêncio incontido diante de tanto prazer que já tivemos ressoa muito mais, de repente somos como que abduzidos pelas boas lembranças de que um dia não fomos maltratados e que pudemos cantar como crianças a celebrar a alegria de um momento fugaz.
As oportunidades para sermos felizes estão a nos importunar a todo instante e diante da teimosia em querermos o melhor sem sabermos ao certo o que esse melhor representa para o nosso deleite, passamos a correr desenfreadamente e a fazer escolhas sem a análise nem a devida reflexão acerca do que é significativo. 
Sendo assim, vamos levando a vida no “piloto automático”, de uma forma fria e seca sem os deleites e a contemplação de um AMOR de verdade.
Desprezamos os discursos proferidos pelo coração, ignoramos os sinais da paixão, descartamos os sentimentos sinceros que temos a oferecer e de repente percebemos que a paisagem que estamos vendo na janela não condiz com os nossos anseios e que o caminho que estamos trilhando não é o que queríamos, aí vem àquela pergunta advinda da consciência:
-“Você já teve a sensação de que pegou o ônibus errado???”
Se esta pergunta te pega como uma dúvida a situação só se complica ainda mais porque tudo continuará seguindo em frente e você terá que tomar um posicionamento diante da sua vida, sem arrependimento e disposto a correr em busca do tempo perdido.
Mas se por uma constatação, tudo o que foi vivido te levar a crê que realmente o ônibus era o errado e que os equívocos do passado foram úteis para que no momento certo o seu querer te conduzisse àquele que eventualmente foi eleito como sendo o correto, então é se acomodar na melhor poltrona e aproveitar a viagem pois agora o momento chegou e o melhor da vida vai começar.