quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Uma pitada das minhas reflexões caedeanas

A ESCOLA PÚBLICA COMO INSTITUIÇÃO MULTICULTURAL
A escola como é o principal espaço de confluência e interação, não somente de individualidades, mas, sobretudo dos grupos culturais e das representações sociais das mais diversificadas formas. Gerenciar toda essa complexidade a fim de garantir uma convivência pacífica e longe da exclusão social e das formas de submissão e alienação ideológicas é o desafio instigador de todos os que atuam no campo educacional.
Vivemos um período da História onde a dinâmica dos acontecimentos e a velocidade das descobertas são os principais fatores para as mudanças de postura e da aceitação de novas formas de hábitos. A palavra da vez é a globalização que envolve todas as esferas do setor humano: a tecnologia, as comunicações, os setores político e social, a moda, a cultura etc. Todas essas influências acabam interferindo no modo de ser de cada um e reflete nos modos de formação dos grupos que passam a configurarem-se cada vez mais plurais e diversos, com pretensões de convencer aos outros de que cada um com suas especificidades são sempre melhor que o outro. A complexidade surge como um novo paradigma que se bem coordenado pode ser um instrumento de fortalecimento das relações sociais, no entanto, se não for direcionado para a garantia da igualdade de todos pode-se cair na criação de guetos que podem tornar a sociedade em sub-divisões de grupos onde uma minoria se privilegia com as regalias arrancadas de uma minoria que são desprovidas dos direitos mais básicos para uma sobrevivência digna.
A escola pública tem então a função de oferecer um ensino que vá além da perspectiva discriminatória e de exclusão, oferecendo aos jovens uma educação universalizada onde o lema Educação Para Todos seja respeitado em todos os seus sentidos e que o direito de participação nas decisões da escola se estenda à todos os que fazem a comunidade escolar e que o ideário de democracia esteja presente nas práticas didáticas dentro e fora da sala de aula.
Sabemos que efetivar a ideia acima ainda é uma proposta que há tempos vem sendo perseguida pelos que acreditam na escola como principal instrumento de reforma da sociedade, uma vez que, se de um lado a escola prepara o jovem para a vida através da efetivação dos conceitos de cidadania, participação, democracia, autonomia, emancipação humana, profissionalismo, ação ética etc, por outro lado, o mundo globalizado cria um embate entre as propostas pedagógicas apregoadas pela escola quando intensifica a desigualdade social (colocando o ter acima di ser) e aumenta o desrespeito quanto aos direitos humanos, banalizando a violência e tornando o trabalho digno e direito do cidadão algo desprezível uma vez que os bens materiais podem ser adquiridos de modo ilícito.
A escola, como principal espaço de criação do saber, tem a obrigação de desenvolver currículos que vão de encontro com a situação cultural dos seus alunos. É preciso dialogar e não impor, é preciso conhecer o que o aluno tem a falar sobre as suas principais dificuldades de vida em sociedade, e mais do que tudo, é preciso transformar. Mostrar ao jovem que é através da escola que ele terá a oportunidade de mudar a situação em que se encontra.
(Texto Escrito na Disciplina Liderança e Gestão Para a Diversidade)

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