terça-feira, 30 de dezembro de 2008

NO PALCO DA VIDA...

É comum ouvirmos que a vida é um teatro onde somos atores conclamados a encenar as mais diversas peças que o diretor possa evocar. A verdade é que o roteiro é sempre desconhecido e é por isso que muitas vezes a angústia nos invade, pois não sabemos se vamos chegar ao final do espetáculo, se seremos mocinhos ou vilões e desconhecemos até mesmo os detalhes dessa cena.
A vontade de transformar tudo em um magnífico espetáculo pode fazer com que os nossos esforços sejam ditados pelos nossos desejos e de repente somos movidos por impulsos compulsivos de que a perfeição deve ser seguida à risca e que qualquer sinal de falha pode nos remeter às sendas do fracasso.
Tragédia e comédia se revezam em um descontínuo viver que na maioria das vezes não temos a sensibilidade de identificar onde termina uma e começa a outra. O certo é que assim vamos seguindo, movidos pela incessante busca de prazeres que, se não nos dão uma felicidade plena nos garante um estado de graça que se resume naquele instante. Esse impulso para a vida justifica a fé de que o amanhã será sempre melhor e que apesar das dores e dos sofrimentos a transparência do amor sublime nos conforta nas maiores adversidades.
Chegamos ao mundo e o palco já está arrumado, os figurinos estão todos traçados e a hora certa de encararmos o show já está dada. Cabe-nos a liberdade de escolhermos se vamos seguir o roteiro ou se por alguma vontade atuaremos em sentido contrário, se seremos a estrela, o coadjuvante ou simplesmente o espectador. A vida nos cobra muito mais quando ficamos apenas assistindo o tempo passar e não fazemos nada para algo alterar, por isso, mesmo em uma posição que julgamos ser ruim é sempre válido insistir. Ao final, a mudança nos remete a uma tranqüilidade que pode ser experimentada em todas as dimensões da vida.
Assim, eis a finalidade da vida: SER FELIZ, e para tanto, somente poderemos alcançar tal propósito se no íntimo estivermos dispostos a encarar as cenas da nossa história como momentos propícios para um aprendizado e como riquíssimas oportunidades de fazermos o melhor para nós e para o resto do mundo.

Ancarlos Araujo. 18 Out 2008

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

MEUS PASSOS VELOZES...

É inerente ao ser humano a necessidade de registrar os acontecimentos bem como a preocupação de que parte de sua vida seja arquivada em instrumentos artificiais que poderá ser acessado em qualquer instante do futuro. Sou de acordo que tais dispositivos podem desaparecer ou simplesmente se auto-destruir com a ação do tempo, mas a vida é muito mais do que uma fotografia ou o emocionar-se com as imagens em movimento de vídeos pessoais.
Em alguns momentos especiais a ânsia de registrar aquele instante e a vontade de captar o melhor ângulo é desperdiçada por conta da falta de percepção do que aquela ocasião pode representar. Deixamos de lado a oportunidade de enxergarmos os significados das coisas para projetarmos desejos superficiais que se perdem com o fluir do tempo.
Hoje sou tentado a refletir sobre tudo o que já vivi e a esforçar-me por refazer em pensamento todos os meus passos e chego à conclusão de que em alguns lugares o melhor seria que eu nem estivesse passado por lá e deixado minha marca, mas não lamento por aqueles que perdi oportunidades de está lá. Afinal, quem poderá nos dizer para ir daqui em diante? E sigo assim, em um ritmo muitas vezes lento e em outros em passos velozes correndo atrás do que eu ainda nem sei direito aonde vou chegar.
Pode ser que isso me dê uma certa proteção em relação às ansiedades daquilo que poderá acontecer e consequentemente uma boa dose de resignação para aceitar o passado e não ficar lamentando o que não conquistei. Sinto-me em um momento de dúvidas quanto ao que planejar para daqui a mais uns dez, vinte ou trinta anos, mas isso também é inerente ao ser e sendo humano tomo a liberdade de buscar na incerteza alguns sinais para ser guiado e com isso não errar tanto. Sinais de vida, de existência, de convivência, de relacionamentos, de transcendência enfim, marcas deixadas pelos que me antecederam e que são importantes para a formação da minha individualidade.
Sem medo de errar e firmando passos fortes nessa estrada que denominamos metaforicamente de vida, sigo em frente levando comigo a vontade de um dia nunca ter que fazer uma parada por motivo de qualquer arrependimento que possa me acometer ou quem sabe por ter escolhido o caminho errado. Posso até em alguns instantes, por necessidade, ter que refazer os mesmos caminhos outra vez, mas tento não lamentar se por alguma circunstância tive que trilhar caminhos errados.
Por fim, não sei ao certo quem estar a me seguir, mas tenho a convicção de que, quanto aos que sigo posso até não ter o prazer de chegar um dia aonde eles conseguiram, mas terei a tranqüilidade de que tentei ser por alguns instantes da minha existência um pouco melhor do que fui ontem.
Ancarlos Araujo 07/Out/2008

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

A Lógica da Vida

Para tudo na vida existe uma explicação que muitas vezes está muito longe do alcance do entendimento do indivíduo comum. Percebemos os acontecimentos sempre levando em consideração nossa própria vontade. E assim cada ser humano vai “levando” a vida ou deixando-se por ela ser levado sem se dar conta de que na maioria das vezes, nem sempre tudo pode ser como se deseja.
Buscamos algo para dar um sentido para nossas vidas tão atormentadas, às vezes fora do nosso mundo até mesmo criando um eu imaginário e utópico que existirá apenas nas idéias. Portanto, não importa o que pode ser a vida em sua essência, mas para alguns o que vale é a aparência do que ela pode se mostrar, mesmo sendo ilusório.
A lógica da vida pode ainda está distante de ser encontrada, afinal como estabelecer uma existência pautada em regras e normas exteriores quando no fundo somos constituídos de partes subjetivas que se unem a fim de formar nossas particularidades que representamos através de nossas singularidades ínfimas? Seguimos assim como exploradores de almas que a cada descoberta percebe que incursões mais profundas precisam ser feitas para a compreensão do que cada um pode perceber. Explorando sempre estruturas existenciais que muitas vezes não são possíveis de uma conciliação entre passado, presente e futuro, ou seja, totalmente desprovido de categoriais temporais, pois o que nos resta são partes de vivências que não estão ligados a instantes mas que se coabitam em um eterno fluir.
Até mesmo quando somos tocados de forma despercebida pela inquietação dos nossos pensamentos, sempre a questionar nossa verdadeira forma de vida, ainda assim, somos incapazes de demonstrar quem realmente somos. E a razão de toda essa deficiência está pautada justamente na preocupação em adotarmos padrões de vida que está longe de serem criadas e escolhidas pelas nossas próprias vontades. O mundo exterior nos cobra que vivamos muitas vezes de uma forma completamente diferente do que somos e aos poucos vamos perdendo nossas características enquanto entes que poderiam ser eternizados.
Passamos então a refletir com isso a possibilidade de marcamos um encontro com a nossa autêntica essência, ou mais precisamente ficarmos frente a frente com nós mesmos. Mas como? Se quando queremos agir por conta própria sempre temos que justificar nossas ações e prestar contas das nossas falhas para um conjunto de pessoas, que se denominam sociedade, e que nem sabemos que realmente são, mas que estão ávidas a nos avaliar da forma mais ignorante possível.
Percebo então que só vivendo uma vida (i) lógica é que podemos aproveitar o que de mais puro essa vida pode nos trazer. Afinal, de que vale viver para os outros? Deixando de lado os desejos íntimos e a possibilidade de realização das nossas potências e ao final desta existência tentar através do arrependimento justificar as derrotas. Vivamos então em conformidade com a natureza humana e deixemos de lado os instintos que nos animalizam e nos prendem aos grilhões do passado.

Ancarlos Araujo 10/Set/08

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

A Força Para Levantar-Se

Depois de experimentar momentos de “queda” em que a vida desprevenidamente me acometeu, graças a DEUS, estou em condições de refletir sobre os últimos acontecimentos e como um filme em que podemos rever as cenas que deixamos passar despercebido começo a pensar sobre todos esses instantes, e de acordo com tudo o que estou sentindo começo a perceber que algumas atitudes precisam ser revistas e com certeza mudadas.
Estamos sempre confiantes dos nossos atos e por mais que a dúvida paire em volta das nossas convicções a certeza de que tudo vai dar certo é sempre um estímulo para irmos mais além. De repente uma fatalidade bate a porta de nossa existência e em um milésimo de segundos os planos que tínhamos traçado mudam em uma proporção considerável. Assim, por mais que em um dado momento tenhamos a vontade de procurar culpados pelos fracassos dos nossos atos somos sempre acometidos pela consciência de que se trata de um momento de reavaliarmos o sentido veloz de nossas vidas e que precisamos de uma pausa, mesmo que forçada, para direcionarmos nossos pensamentos para uma profunda exploração espiritual e assim buscar a luz interior que insistimos em não querer deixar aflorar.
Ao verificar que em dado momento quero lamentar a minha condição em que temporariamente me encontro, começo a enxergar que se comparando a outras situações em que as demais pessoas passam devo dar graças por não está em semelhantes conseqüências. A paciência que tenho cultivado tem sido minha principal companheira nas tempestades da minha vida, e aí depois que tudo passa fico a imaginar como o transcorrer do tempo ajudou cicatrizar as mágoas e as angústias que por ventura poderiam petrificar meu ser.
Saber que a vida ainda nos guarda muitas surpresas no decorrer do dias vindouros me deixa feliz em perceber que desta vez ainda não foi a minha vez de partir para o outro lado. Os acidentes têm a capacidade de fazer com que enxerguemos melhor nossa forma de vida e o mais importante ainda, valorizar a nós mesmos e as pessoas que convivemos. É como se por mais que tenhamos lido e conversado sobre todos os tipos de sofrimento e dor, tudo isso não basta se por algum instante não experimentamos o que idealizamos para que assim tenhamos argumentos vivificados em sentimentos puros e verdadeiros.
De toda forma, a lição que tiramos diante de tudo o que julgamos ser ruim é de que uma força que desconhecemos, mas que está dentro das nossas possibilidades está contida em nosso íntimo como principal estímulo para aliviar nossos medos e nos impulsionar nos momentos mais adequados quando precisamos levantar.

Ancarlos Araujo... 13/Ago/2008

Nem Todo Dia É Dia de Sol

Podemos contar com os atributos da sorte sob quaisquer aspectos, sobretudo quando em algumas situações ela se faz mais necessária ainda. Penso que encarar as adversidades que a vida nos propõe não é tarefa tão simples como pensamos, mas podemos às vezes contar com uma pitada de imprevistos que podem nos direcionar a caminhos tortuosos ou a soluções pensadas que nos ajudarão a seguir adiante.
Agimos e pensamos sempre com a perspectiva de que as coisas acontecerão sempre como planejamos e quando algo não sai conforme os nossos desejos são notórios a frustração. É como se ao chegar ao mundo a única convicção que cultivamos é a de que sempre é possível ganhar e a derrota somente ocorre aos outros e nunca nos baterá a porta. E por mais que o otimismo seja um bom companheiro tudo está ligado apenas a anseios que precisam ser exercitados, pois é no momento das tribulações que o sentimento de descontentamento aflora.
Como nas músicas cantadas no sentido de motivar aqueles que precisam de sentido para viver: “A vida vem em ondas como o mar...” Portanto é imprescindível alimentar tal idéia com o sentido de estar ciente de que tudo é passageiro e que o tempo vai se encarregando aos poucos de pôr tudo em seus devidos lugares de acordo com o que estivermos aptos a receber a partir das nossas ações. É como se a ações da vida estivessem ligadas diretamente às transformações naturais e por mais que tentássemos fugir de determinadas ocasiões ou situações, sempre somos cobrados a prestar contas com a nossa própria consciência. É preciso sim esperar que um novo dia seja sempre melhor que o anterior, mas também, mais que tudo é propício à espera com o espírito preparado para dias nublados e que muitas vezes não há a perspectiva do aparecimento do sol. Em um sentido mais claro, podemos pensar que o fato de estarmos vulneráveis as intempéries e a todo o tipo de estímulos, tais situações podem nos lançar a momentos de existência que independentemente do que possamos fazer, somos mesmo assim acometidos por estados indesejáveis.
Segue-se então o forte desejo de encontrar a felicidade sem experimentar a dor, ou de superar o fracasso sem ao menos saciar o gostinho do esforço. Não devemos desistir pelo simples motivo de pensarmos que ainda não fomos contemplados com os prazeres capazes de alimentar nossas carências insaciáveis. A tentativa através da persistência racional somente é possível se os nossos propósitos estiverem de acordo com o que podemos usufruir não de forma egoísta, mas acima de tudo no sentido de poder compartilhar tudo aquilo que conquistarmos com aqueles que nos cercam.
Daí sim o sabor de saciar as conquistas passam a ser deleitados com mais prazer quando se tem a verdadeira consciência de que o que temos é fruto de esforços compensatórios. Nem todo dia é dia de sol, por isso, podemos iluminar o mundo com a nossa energia que flui da bondade quando fazemos sempre o que é necessário fazer.

Ancarlos Araujo... 29/jul/2008

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

COMO FAZER A ESCOLHA CERTA?

Há momentos em que por mais que eu busque um assunto para escrever a minha cabeça parece não apontar para algo que realmente precisa ser demonstrado naquele instante. Começo então como estou fazendo agora, escrevendo sobre algo que nem mesmo sei aonde vai dar ou por qual motivo preciso fazer isso.
E eis que de repente os meus sentimentos afloram e passo a travar um diálogo com o meu íntimo. Começo a refletir sobre os dias que estão se passando e mais do que tudo, como estou encarando todos os acontecimentos que me pegam desprevenido. Coisas boas têm me visitado ultimamente e a minha gratidão nesse instante é a única forma de garantir as beneficies que venho experimentando.
Os planos que traço e que ainda estão longe de serem concretizados são justamente aqueles que espero mais ansiosamente. Penso que minha inquietação tem um sentido de ser quando me impulsiona a seguir adiante em busca da realização dos meus sonhos. Mas afinal, que sonhos ainda persigo? Será que minha teimosia não está me alavancando a uma estagnação quase que contínua.
Mais uma vez caio no questionamento que me persegue e me incomoda permanentemente: COMO FAZER A ESCOLHA CERTA? É justamente esse ponto que insiste em fazer com que eu busque cada vez mais entender a vida, antes, durante e após as escolhas. O cerne de toda existência humana está nesses momentos em que decidimos muitas vezes fazer uma reviravolta em nossas vidas ou quem sabe dar permanência ao estado que nos encontramos.
Parece que o ponto crucial não está nem tanto nas escolhas, mas sim nas conseqüências que elas nos ocasionam e que teremos que carregar por longos e longos tempos. Sabemos o que temos que fazer, mas nem sempre como fazer. Se paro para pensar demais e numa introspecção fico demoradamente a esperar a hora da escolha, quando me dou conta as oportunidades já se definharam e então amargo agora não as conseqüências do que fiz mas da minha inércia.
Hoje posso olhar para o passado e com uma visão mais otimista estou convicto de que conquistas foram sim realizadas, nem sempre tão grandiosas como almejei, mas podem ser consideradas significativas. Pode ser esse meu jeito excessivo que me torna muitas vezes inconstante e que se visto em um ângulo positivo pode até mesmo ser benéfico uma vez que pelo menos de tédio eu não morro. Com isso busco cada vez um sentido em minha existência de acordo com essas escolhas que se são certas ou erradas, somente o passar dos dias poderá esclarecer.

Ancarlos Araujo... 06 jul. 08

Dez ilusões

Eu tinha tantas ilusões e acreditava piamente que um dia elas iriam se tornar realidades. Sempre vivia uma nova esperança diante de tudo aquilo que para mim era verdadeiro. Aos poucos a vida vai nos dando quedas que têm como objetivo testar nossas forças para que possamos criar uma forma de novamente subir, só que dessa vez mais invencíveis.
Eu acreditava tanto na esperança ao ponto de fazer planos para o futuro sem saber que o presente é que tem que ser vivido. Adotei sem querer dez ilusões que ficaram impregnadas no meu intelecto, más que posteriormente me frustraram:
1. Acreditei que a vida nunca iria prestar contas das minhas escolhas e que elas nem ao menos seriam preponderantes para o que sou e estou atualmente;
2. Pensei que iria conquistar tudo aquilo que um dia sonhei e hoje nem sei como distinguir sonho e pesadelo;
3. Esperava encontrar nas pessoas os mesmos sentimentos que por elas eu nutria;
4. Sentia um conforto espiritual pois não precisava me preocupar com as necessidades da vida, no entanto, me sinto invadido por uma grande perturbação;
5. Via-me cercado de pessoas que no momento em que mais precisei delas fui desprezado;
6. Tentei fazer o que de melhor pude e dar o que eu tinha de mais precioso e não fui reconhecido sequer pelo menor esforço que fiz;
7. Falei com muitas pessoas sobre tudo aquilo que elas queriam ouvir e escutei tudo o que tinham a dizer, por outro lado não tive sequer a atenção daqueles que mais precisei quando um grito de angústia estava preso em mim;
8. Desprezei os bens materiais em nome de uma crença no saber e nos dons que o conhecimento traz e hoje me sinto privado dos meios básicos da contemporaneidade;
9. Esforcei-me em corrigir os erros que cometi em nome de uma regeneração e o máximo que consegui foi tornar as coisas piores;
10. Busquei um autoconhecimento na tentativa de melhorar os meus atos e de me auscultar nos míninos detalhes nos instantes em que a dor se fazia presente e percebo que quanto mais mergulho no meu íntimo, sei menos do que preciso saber para ser o que sou.
Não sei ao certo o que posso esperar daqui em diante uma vez que a esperança não tem limitações, más prefiro acreditar que não tomarei uma postura pessimista uma vez que muitos acontecimentos ainda estão aguardando para vir à tona e o inesperado pode mudar o rumo das coisas.

Ancarlos Araujo. 16/Out/2007

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

(Des) Contentamento

Viver não é para muitos, mas está vivo é uma aptidão de todos aqueles que passam a seguir caminhos diferentes com histórias parecidas. Algumas coisas são prazerosas e a busca por elas torna uma incessante necessidade. Em troca de instantes fugazes as pessoas perdem a consciência do que no fundo do seu íntimo é mais importante.
A falta de contentamento que está estampada no semblante das pessoas demonstra a carência com que cada uma não foi preparada para a dor. Ninguém admite que a vida possa de uma vez por outra dar uma reviravolta e mostrar seu lado obscuro com a finalidade de que aqueles que estão nesse estado de espírito possam ter a oportunidade (ou a infelicidade) de sofrer sem ao menos saber o porque está assim. E vem o descontentamento com tudo o que lhe cerca, de uma hora para outra até mesmo aquelas pequenas coisas que eram prazerosas e significativas passam a ser inócuas e sem relações ou conexões com o próprio existir. Pessoas que representam muito para você chegam a ter nenhuma importância e são como estrangeiros. As idéias que moviam a suas ações tornam-se sem reflexos e nem atingem mais o campo da imaginação.
Pensar que um dia fomos o que hoje queremos ser é a tentativa mais descabida de não aceitar as transformações como um fluir eterno. A volta ao passado pode até mesmo constituir-se em um lenitivo, mas não é o bastante para enfrentar o amanhã pois não temos a certeza da repetição constante dos fatos e a única verdade que temos é a aposta no porvir. Tudo não passa de expectativas e o acontecer nem sempre sai como queremos.
Tento me acertar comigo mesmo afim de que conflitos íntimos não exteriorizem minhas palavras e minhas ações. Assim estou convicto de que através de um esforço planejado, posso tornar-me naquilo que pretendo ser. Contente ou não, isso não importa, o que vale é viver as potencialidades que se apresentam a cada instante e assim o tempo vai sucessivamente tornando-se presente, novas existências vão aparecendo e uma vida vai sendo tecida através de histórias ímpares. Nem sei explicar ao certo como tudo isso ocorre, fogem as palavras e os sentidos são impotentes e é por isso que nesses instantes o experienciar já é o bastante e contempla todas as formas de emoção.
Portanto, é nesse amontoado de palavras, idéias e acontecimentos que me encontro. Tentando correr contra e a favor do tempo, em busca do que passou e não consegui conquistar e conservando o que já tenho, mas acima tudo a procura do que pode ser meu. Viver não é a reconstrução do que já passou e sim a construção refletida do que ainda virá em meio ao que te restou.

Ancarlos Araujo. 06/Jan/2008

Como Pensar o Que Se Quer???

Tenho refletido acerca do poder do pensamento e tentado fazer uma conexão entre pensar e atrair o que se deseja. A capacidade de plasmar uma realidade através dos desejos até então não concretizados pode constituir-se em exercício que para muitos só poderá ser possível se partir de uma fé consistente onde o querer deve está acima de qualquer possibilidade. O que acontece é que os desejos ao longo da caminhada da vida vão sendo abandonados e automaticamente surgem outros como que panacéias para tornar nossas vidas felizes.
Se formos dar vazão aos milhares de pensamentos que vão surgindo em nossas mentes e diante da multiplicidade de possibilidades que podem vir à tona, com certeza uma frustração latente vai se manifestar, pois a todo o momento estamos a produzir impulsos motivadores que nos incitam a agirmos e dessa forma sabemos que somos incapazes de realizar todos eles. Sei que a relação entre o pensar e o fazer pode ter alguma influência nas realizações da vida, no entanto, a contingência gera fatos, ou seja, a forma como eles se apresentam é fundamental para se conseguir o que se quer. Alguns acreditam que a própria realização desses fatos são decorrente do que os pensamentos plasmaram e consequentemente o tornaram possíveis, mas tenho lá as minhas dúvidas. Tudo vai depender de acontecimentos relativos que são típicos de algumas pessoas, mas que em outras está muito distante de acontecer.
A transformação interna, bem como os sentimentos pessoais, ou mais precisamente, a forma com que cada pessoa recebe os acontecimentos sem dúvida são dependentes das estruturas de pensamento que cada um vai cultivando ao longo da sua existência. Agora, o que me deixa em ponto de questionamento é o fato de que condições extrínsecas possam ser manipuladas por pensamentos intrínsecos, pois conforme acredito, os acontecimentos partem de fora para dentro do ser e não o contrário.
Podemos nos direcionar para um ponto que se refere à auto-sugestão, que é justamente a capacidade do indivíduo impetrar uma crença que passa a ser exercitada pelo pensamento e daí o sujeito muitas vezes passar a viver uma realidade que não é condizente ao que está acontecendo, e aí, como que de repente em um dado momento as coisas começam a ser relacionadas com o que queria que fosse.
Estabelecer uma meta e pensar em sua consecução sem deixar se desviar dos objetivos, é necessário sobretudo muito emprenho e determinação, uma vez que quando os esforços são grandes, os resultados não são imediatos. Portanto, mudar o ritmo da caminhada ou os meios de percorrer podem até ser precisos, mas temos que colocar em mente que o caminho deve ser o mesmo e consequentemente o destino deve ser alcançado.
Pensar o que se quer é imaginar-se usufruindo e agradecendo por tal conquista, é o mesmo que ocorre quando, de tanto querermos conquistar algo passamos a ter sonhos e acordamos confortados de prazer por ter tido as primeiras sensações merecedoras daquilo que já se tem. É vivenciar uma experiência que embora distante de acontecer já é possível visualizar os primeiros sinais que está próximo de chegar.
Portanto, pensar o que se quer é o primeiro passo que deve ser dado e daí em diante é preciso manter-se firme em seus ideais e disposto a arcar com as conseqüências que forem necessárias para se manter no esforço de querer realmente ser vitorioso.
Ancarlos Araujo 29/mar/08

Filosofia: A busca da verdade

É sempre difícil saber como se deve conduzir um curso de Filosofia no Ensino Médio. As questões com as quais todos os professores da área se deparam são, de modo geral, as mesmas. O que ensinar? Como ensinar? Qual a relevância do que vai se ensinar?
O ensino da Filosofia sempre criou um impasse: trata-se de exercitar o próprio pensar ou de apresentar o desenvolvimento das tradições filosóficas aos jovens alunos. Pensamos que forma e conteúdo não estão desvinculados. A seleção de textos e filósofos e o modo como estes são trabalhados têm implicação mútua. Para tanto, entendemos que um curso de Filosofia, como o de qualquer outra matéria, só pode ser considerado eficiente ou não mediante a prática.
Sendo a Filosofia naturalmente interdisciplinar, achamos interessante buscar o contato mais próximo com as demais disciplinas, procurando uma abordagem mais ampla do conhecimento e a formação do pensamento crítico, fundamental ao exercício filosófico.
No segundo bimestre do 1º ano do Ensino Médio (Centro Educacional Cenecista Luzardo Viana / Caucaia-Ce), visando introduzir a reflexão filosófica entre os alunos, tratamos do tema do conceito da VERDADE através da produção de jornais, partindo da sugestão de um capítulo do livro didático. As turmas foram divididas em equipes para o estudo do tema e a daí apresentarem suas reflexões em artigos e imagens consubstanciados em um resultado escrito.
Após a realização do projeto, os alunos puderam perceber que a Filosofia é um exercício permanente que não se esgota em posições já estabelecidas e que através de trabalhos como o que foi desenvolvido por eles a disposição para buscar a verdade reaparece com mais profundidade e a atividade filosófica pode ser vivida mais intensamente.
Ao término do segundo bimestre, além da apresentação dos jornais, foi feita uma avaliação escrita com a temática já estudada onde questões acerca dos capítulos do livro didático foram elaboradas como forma de fazer com que os alunos demonstrem que compreenderam a situação problema.
Por fim a questão inicial que foi lançada, o que é a verdade? Foi respondida de forma unânime pelos alunos como sendo algo que tem que ser buscada de forma permanente e que jamais pode ser capturada de uma vez. Através do exercício incessante do ato de pensar os alunos podem ser despertados para o interesse em encontrar verdades que se tornarão praticáveis em seu cotidiano.

Profº Ancarlos Araujo

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Os Meus Livros

Desde que comecei minha relação com os livros percebi que eles tinham muito que me ensinar e que eu tinha mais ainda o que aprender com eles, bastava que eu me dispusesse a ouvi-los com atenção e dedicação e que passasse a tratá-los com o devido respeito. Confesso que no início eu não sabia ao certo o que iria me deparar e o que toda aquela vontade de descobrir o que estava guardado dentro deles iria me trazer, mas como todo navegante de primeira viagem decidi adentrar com a sede do saber e a inquietação de um desbravador. Aos poucos, algo novo que até então não sentia vinha tomando conta da minha mente e as idéias fervilhavam como que querendo aflorar e se fazerem presentes o mais depressa possível.
Os devaneios intelectuais tornaram-se constantes e novas palavras passaram a fazer parte do meu reduzido vocabulário. Era inevitável que um vício estava prestes a me tomar conta e que ao contrário daqueles que reduz o ser a migalhas, este anunciava um engrandecimento espiritual que viria acompanhado de um prazer, que como todos eles para ser deleitado deve vir acompanhado de uma dose de sacrifício.
Passei então a juntá-los, ao passo que ia devorando-os um a um e sempre tentando estabelecer um diálogo que na maioria das vezes se encerrava em um monólogo que eu não conseguia entender. Eu questionava-os tentando obter respostas para as minhas dúvidas, mas eles permaneciam silenciosos, e tudo aquilo me deixava atormentado fazendo com que eu buscasse cada vez mais leituras que dessem um acalanto. De tanto buscar solução e sem saber ao certo como encontrar, percebi que podia juntar todos os livros que já li e formar uma resposta para tudo o que eu queria.
Os meus livros são tudo aquilo que em uma determinada fase da minha vida passaram a marcar as minhas escolhas. Todos eles, juntando um por um vão formando palavras que se exteriorizam em sentimentos. Tenho um grande afeto por eles, pois sinto que em cada um é como se fosse uma parte de mim, embora não tenha escrito-os. Mas mesmo assim peço licença aos autores para tomar tal liberdade, afinal todo escritor tem a consciência de que quando coloca sua obra à disposição do público ela não lhe pertence mais. Por isso, ao manuseá-los é como se eu estivesse voltando no tempo e vivenciando cada circunstância que foi preciso para que eles chegassem até mim, cada sensação que me toma quando ao lê-los, alguns concordo plenamente e em outros sou contra do início ao fim.
Alguns me seduzem ao ponto de devorá-los mais de uma vez. É como experimentar a sensação de algo prazeroso em que se quer repetir e acabamos vivenciando de outra forma, mais intensa ainda. É como percorrer um caminho já conhecido, só que desta vez com a vontade de se deparar com novas formas de caminhar. Por outro lado existem alguns que em apenas uma leitura já me sinto contemplado com o que têm a me trazer. São poucos os que tive que abandonar no decorrer da leitura, pois procuro mesmo com sacrifício, ir até o final e tentar entender o que eles têm a me dizer.
Alguns ainda não li, mas estou certo de que o momento adequado virá para que, ao iniciar eles possam me dar algo que preciso naquele momento. Sei que eles estão a me esperar e fico tranqüilo por isso, afinal, não se pode manter uma relação com um livro de modo apressado e desinteressado. Tudo deve partir de uma vontade constante que faz com que cada instante gasto com ele se traduza em momentos ínfimos. O silêncio e a solidão são dois componentes indispensáveis em uma boa leitura e se temos um bom livro então tudo facilita para que o resto flua com a maior harmonia.
Sempre que finalizo a leitura de um livro agradeço a DEUS por ter colocado mais um degrau no meu conhecimento, é como se naquele momento eu tivesse recebido do alto os pré-requisitos necessários para um tipo de saber mais complexo que estou prestes a iniciar. Por isso, comparo meus livros com amigos que em determinados instantes percorrem comigo um trajeto sempre a me aconselhar, dividindo os bons e maus momentos, mas que em certo ponto nos despedimos para que cada um tome um rumo diferente e com uma nova missão a ser cumprida.
E assim guardo-os na estante, cuidando-os para que eles possam trazer aos outros a satisfação que tive, ao perceber que em um dia pude aprender algo de novo com todos eles e que posso ensinar aos outros tudo o que absorvi com cada um. Estão como sementes sempre prontas para serem plantadas e daí nascer árvores frondosas com frutos que servirão para alimentar a fome de saber de tantos que precisam ser saciados.

Ancarlos Araujo ( In: Cartas Para Ninguém. 13/Abr/08)

O Tempo e o Saber...

O tempo perguntou ao saber qual de todos os conhecimentos era o mais importante. O saber não teve dificuldades e respondeu de pronto que seria justamente a capacidade de conhecer o tempo. Mas o tempo não se contentou com a resposta querendo saber mais detalhes sobre como era possível conhecer algo que estava dentro dele, afinal era ele que se encarregava de suceder os instantes, de transformar o presente em passado e o futuro em presente, ou seja, de conduzir a vida das pessoas ao longo da História e por isso ele nunca tinha como descansar, pois se isso acontecesse tudo se descontrolaria.
Com toda a paciência que lhe é peculiar, o saber então passou a explicar ao tempo tudo o que aconteceu desde que o homem teve a brilhante idéia de controlar sua vida através dos minutos, das horas, dos dias, das semanas, dos meses, dos anos etc. Anteriormente a esse fato todos viviam despreocupados e parecia que a vida era uma eternidade e que tudo era infinito. As pessoas não tinham pressa, o dia e a noite eram apenas fenômenos que oportunizavam a visita do sol e da lua, as chuvas ou as geadas eram aspectos comuns que se repetiam de quando em quando. Crianças, jovens, adultos e idosos não precisavam se diferenciar por terem mais ou menos idade. Enfim, a igualdade e a tranqüilidade eram habituais no cotidiano daquele povo.
Eis que um dia, o homem utilizando o seu poder super dotado de racionalidade e inconformado com o marasmo, passa então a dividir essa sucessão de momentos e cria o tempo. A partir daí a vida toma uma dimensão de pressa e novos inventos como o relógio e o calendário são agora companheiros inseparáveis que determinaram o estilo de vida de cada ser humano.
Os dias personificaram-se em expressões e sentimentos onde a segunda-feira terá características distintas da terça-feira que consequentemente será mais preterida do que o sábado e o domingo. As horas se repetem no relógio, mas na forma de ser vivenciada por cada um terá outras interpretações. Assim, todos agora vivem correndo contra o tempo, planejando o seu tempo, “perdendo” ou “ganhando” tempo, mas poucos se interessam em conhecer o seu próprio tempo. Vivem desperdiçando a oportunidade de refletir sobre o momento presente e passam toda a sua existência amordaçados nos grilhões do passado. Outros ainda sonham frustrados com um futuro tão distante que com certeza nunca será alcançado.
Aos poucos o tempo começou a perceber que todas aquelas explicações tinham sentido e que estava sendo vítima de uma pressa criada por ele mesmo. Pensou em como seria mais agradável fazer as coisas com mais cautela e acima de tudo aproveitar todos os instantes intensamente sem se preocupar com o que virá e desprendido do que já passou.
Ancarlos Araujo (In: Cartas Para Ninguém. 25/Abr/08)

SE...

Se ao invés de buscar respostas para aquelas perguntas que nos importunam, ficássemos a aceitar tudo de bom grado. De repente perceberíamos que viver nem é tão complicado como imaginamos que é.
Se tentássemos entender melhor o silêncio do outro, quem sabe não veríamos através de um espelho o reflexo da nossa própria imagem a nos dizer que somos seres dotados de carência e que por isso os afetos precisam ser compartilhados justamente com aqueles que pensamos ser o que menos precisa, pois ninguém é autosuficiente.
Se no meio da noite a escuridão pudesse nos dizer que em meio ao turbilhão de estrelas cada uma pode ser habitada por sentimentos bons, talvez passaríamos os momentos de solidão preenchendo-as com carinho, ternura, amizade, afetos, honestidade, sinceridade, lealdade e o maior de todos o AMOR.
Se a pedra pudesse demonstrar a sua verdadeira essência, quem sabe sentiríamos a necessidade de entender porque muitas pessoas agem duramente conosco e que ao invés de revidarmos o mais racional seria atentar para o fato de que em alguns instantes da nossa vida sem querer magoamos quem mais gostamos quando insistimos em petrificar nossos sentimentos.
Se a chuva falasse a todos aqueles que não gostam dela que apesar de muitas vezes ela se apresentar de forma violenta e brava tudo não passa de uma maneira de purificar os lugares que ainda insistem em não querer modificar-se para melhor.
Se o tempo fizesse com que aceitássemos a sucessão dos instantes sem nos preocuparmos com que vamos fazer, quem sabe cada um de nós não viveria mais tranqüilo e teríamos a oportunidade de fazer as coisas que mais gostamos com as pessoas que temos mais afetos e tudo se constituindo em um modelo de vida a ser copiado.
Se ao invés de reclamarmos com o que não conseguimos ao longo da vida, passássemos a dar graças a tudo aquilo que temos, talvez sentiríamos um prazer mais duradouro com as pequenas coisas que nos pertence e teríamos a oportunidade de eternizá-las senão materialmente mas em nossos pensamentos com a capacidade de sempre poder recorrer a memória quando assim precisarmos.
Se a saudade fosse apenas uma passageira de um trem que não demora muito a passar e que nunca atrasa, quem sabe aceitaríamos resignados a perca de pessoas queridas e estaríamos sempre esperançosos quanto à possibilidade de reencontrá-las sem demoras.
E se a felicidade não fosse algo que ainda estamos correndo desesperadamente a sua procura e que nem sabemos ao certo onde achá-la, mas que fosse sim um estado de espírito que evoca a tranqüilidade de visualizar a vida como ela se apresenta, sem máscaras ou qualquer tipo de dissimulação. Fosse algo que passasse a tornar cada pessoa melhor, consciente de que um ser superior a que tudo é atribuído está presente infinitamente em seus pensamentos e nas suas ações e que é capaz de tornar qualquer dor, por maior que ela possa parecer, em algo tolerável trazendo consigo a lição de que somente compartilhando o amor é que se é possível sentir sua verdadeira essência.
Se todas essas possibilidades fossem possíveis, quem sabe acordaríamos do sono ilusório a que estamos acometidos e aí sim poderíamos viver na plenitude da vida.

Ancarlos Araujo (In: Cartas Para Ninguém. 24/maio/08)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Um Assunto

Muitas vezes o silêncio nos leva a um diálogo interior como se quiséssemos encontrar respostas imediatas para tudo aquilo que está a nos perturbar. Um assunto qualquer que está perdido em meio ao esquecimento, de imediato passa a sinalizar uma tentativa de vir à tona e mostrar que muitas coisas precisam de esclarecimentos.
O meu assunto perpassa os meus pensamentos que muitas vezes chegam nem sei de onde e me importunam como que querendo ser externados. Assim fico a conversar, a dialogar, a debater e, sobretudo, na maioria das vezes, até mesmo a silenciar. Passo então a falar de tudo e em alguns momentos a calar por nada, pois acredito que o silêncio também pode compor o discurso como que acrescentando a pausa necessária para uma futura conversa.
Em alguns momentos ficamos sem assunto para discutir determinados fatos. A comprovação de um futuro incerto pode nos remeter a um imediatismo apressado que se torna não planejado e consequentemente insatisfeito. O desejo de esquecer o que já passou, mas que não foi satisfatório pode bloquear a memória em um nada sem palavras. E o acaso que insiste em nos surpreender nega as nossas atitudes do presente, pois estamos desprevenidos para o que pode acontecer.
Uma palavra, um gesto, um símbolo, uma paisagem e tudo mais podem tornar-se significativos a partir do momento em que os transformarmos em pontos singulares de assuntos pertinentes que cada uma dessas coisas podem ser. Em determinados instantes fico a imaginar e a criar possibilidades não das coisas e dos fatos que ainda irão acontecer, mas imagino como tudo isso que nesse instante estou vivenciando seria se fosse de outra forma, ou seja, se eu tivesse a sorte ou o infortúnio de fazer outras escolhas, como eu estaria reagindo? Será que tenho mesmo que passar por tudo isso? Ou se no fundo sou mal agradecido ao ponto de entender que o que tenho agora constitui o que de mais brilhante eu pude construir?
Parece que ao invés de encontrar repostas, novos questionamentos constituem-se agora como forma de aumentar mais ainda minha angústia ou para ser mais otimista pode até mesmo me abrir novas possibilidades de enxergar a minha vida com um outro ângulo que eu ainda não estou acostumado. Às vezes penso que fico muito tempo a pensar demais e a mergulhar em leituras que dizem o que devo fazer e o que evitar, e como que em uma posição comodista não reajo às oportunidades com a atitude necessária que poderia ser desprendida. Talvez um pouco mais de engajamento pudesse me tornar uma pessoa mais ativa e com isso experimentar uma dose excessiva de realizações, pois não podemos usufruir das nossas aspirações se ainda não tivemos a sensação da conquista.
Assim, o meu principal assunto é tornar-me cada vez melhor a fim de que eu possa compreender o verdadeiro sentido de viver e tornar aqueles que convivem comigo mais felizes e melhores.

Ancarlos Araujo (In: Cartas Para Ninguém. 14/Maio/08)

Sorte!!!!

Para o entendimento comum é sempre preferível e aceitável escrever sobre algo que se tem e que obviamente venha a conhecer em seus detalhes. Mas confesso que discorrer sobre a sorte é algo obscuro quando não se tem artifícios plausíveis para um discernimento claro acerca de saber se ela é uma dádiva perene ou simplesmente uma junção de fatos acidentais que posteriormente possa configurar-se numa coincidência.
Estar no lugar certo e na hora certa do acontecimento que está sendo esperado pode constituir uma sorte, uma vez que não bastam apenas esses fatos, pois o que vai significar mesmo é a capacidade de ter consciência de como o processo acontece, dali em diante, saber aproveitar as oportunidades de torná-las permanentes, ou seja, de como algo acidental deve transformar-se em um fato duradouro. A busca pelas oportunidades é que na maioria das vezes torna as coisas mais difíceis, afinal de contas, é preciso estar atento para agir na hora certa e isto nem sempre é possível detectar a não ser tentando (fazendo).
Sorte é o que eu poderia definir como sendo a oportunidade de fazer as escolhas certas, nos momentos adequados e transformar os efeitos dessas escolhas em acontecimentos bons que serão permanentes. Parece simples e objetivo mas o desdobrar de cada palavra configuram-se em conceitos extensos de explicações e execuções. Para tanto se faz necessário alguns questionamentos como: de que forma as oportunidades são plausíveis de serem aproveitadas se boa parte delas independe da vontade livre do sujeito que atua? Como as minhas escolhas podem me projetar para um estado de sorte se os momentos adequados nem sempre se configuram como o planejado? E mais, até quando esperar os acontecimentos com a esperança de não desistir deles mesmo que demorem?
Portanto, a sorte é quando os bons momentos se entrelaçam com os hábitos positivos e que não deixam de trazer uma felicidade, afinal de contas, quem é feliz hoje em dia pode se considerar amigo da sorte pois ela constantemente está lhe visitando. Passamos então a imaginar que felicidade é a configuração da sorte, e daí em diante partimos para a sua procura desenfreadamente.
Tirando os devaneios um pouco de lado e expondo o meu próprio sentimento, acredito que sempre que deixo de conseguir algo ou quando os meus desejos parecem ficar mais distantes a sorte é a culpada por tudo o que está acontecendo. Mas ao colocar isso não quero afirmar que eu não me considere uma pessoa de sorte, na medida do possível, afinal de contas atribuir a uma falta dela todas as minhas frustrações não é justo pois no final das contas, quem sabe não sou eu é que ainda não descobri o caminho adequado que deve ser percorrido? E é por isso que ainda estou tentando, com a esperança de que não apareçam motivos para uma pretensa desilusão.
De tudo o que foi colocado e que ainda poderia ser acrescentado, o fato de estar vivo é uma sorte, mas viver e refletir sobre tudo o que já passou e ainda o que virá constituem uma sorte ainda maior. Por fim, a minha sorte é uma somatória das boas vivências, das possibilidades de felicidades que se constituirão através de tudo o que hoje estou batalhando para conquistar e da consciência de que tudo o que tenho e do que ainda terei eu mereço pois fiz por onde merecê-las.

Ancarlos Araujo (In: Cartas Para Ninguém. 06/Mar/2008)

Os Dias Passam...

À medida que os dias passam a minha ansiedade vai se concretizando cada vez mais, pois algo daquilo que eu esperava ardentemente ainda não foi realizado. Venho tentando ao longo dos meus esforços buscar uma razão para tudo o que me incomoda e quase sempre sou atormentado por essa procura. Pode ser que o tempo em que disponho no momento seja uma dádiva afim de que eu possa aproveitá-lo da forma mais prazerosa e de maneira ambiciosa e egoísta eu esteja jogando fora tal oportunidade. Mas também sei que preciso ir além do que estou hoje se desejo conseguir tudo aquilo que me propus.
Tudo vai ficando simples e quando penso que uma maré de tranqüilidade vai habitar o meu ser, de forma repentina chegam às inquietações e o desejo de não ficar parado justamente com a convicção de que posso fazer muito mais e consequentemente ganhar muito mais se eu estiver disposto ao almejar mais. Penso que mesmo competindo comigo mesmo estou prestes a correr em busca do tempo perdido e de repente mudar a minha vida em uma guinada repentina. Acontece que o que faço atualmente me dá um prazer incontestável e embora sendo muitas vezes algo que requer esforço e paciência me descubro como sujeito construtor e constituinte do processo que estou inserido.
Não sei se posso atribuir a minha situação atual as escolhas, ou as pessoas que convivo ou mesmo a falta de oportunidades, mas o que sei é que todos os dias imagino uma nova possibilidade de concretiza meus sonhos. A cada momento que planejo e a cada sucessão de horas que compõe o tempo, vai se somando a completude do que vou me constituindo como pessoa.
Este meu eu que insiste em querer conhecer cada detalhe do que ainda não tive a oportunidade de saber, que anseia em ultrapassar as fronteiras geográficas e ao mesmo tempo estabelecer contato com o desconhecido. É esta chama que permanece acesa em mim e que todos os dias alimento com o conhecimento que me faz o que ainda estou projetando para o futuro, mas que reflete o que atualmente carrego em meu ser. É a mudança que me sustenta em meio à esperança da descoberta do verdadeiro caminho que preciso trilhar. Caminho este que ao ser percorrido precisa ser pavimentado de forma sólida de modo que os outros que virão possam utilizar-se também para percorrer. Sei que os meus esforços serão recompensados e embora não fazendo mais que minhas forças e minha capacidade intelectual tem a potência de realizar, mesmo um pouco do que é feito pode ser convertido em bons efeitos.
Assim como agora estou a escrever essas idéias no afã de torná-las eternas e de que num futuro breve eu possa ter a capacidade de enxergar boas notícias, estou certo da intervenção divina que a todos os seres vem como graças derramadas como forma de mostrar o seu infinito amor, rogo a DEUS que me dê a oportunidade de desenvolver as minhas aptidões em prol de ensinar e aprender com aqueles que precisam ser iluminados com a sabedoria, e que eu possa através da humildade exercitar a comunhão de virtudes em favor do próximo e da minha evolução espiritual.


Ancarlos Araujo (In; Cartas Para Ninguém. 03/Mar/2008)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Cânticos de Amor

Existem mil formas de se demonstrar o verdadeiro sentimento que denominamos amor. Alguns preferem escrever poesias onde através de versos improvisados e de palavras arranjadas conseguem preencher uma folha de papel que em poucos segundos estava vazia, outros ficam a procurar rimas e métricas a fim de produzirem sonetos onde as regras gramaticais perpassam de maneira cúmplice provando que para se amar é preciso seguir caminhos pré-determinados.
Tem aqueles que falam demais e passam todos os momentos que dispõem com a pessoa amada a declamarem histórias de vida, momentos do passado (agradáveis ou não), relatando suas fraquezas e seus pontos fortes. Para eles, essa é a forma de conhecerem-se e criarem uma transparência como gesto de confiança. Nesse caso, o amor é a troca das palavras muitas vezes apenas como um gesto de manter a convivência e onde o silêncio não tem espaço, pois o distanciam.
Outra forma bem conivente é aceitar a pessoa amada como ela é, estando crente de que ela permanecerá tal como está, pois qualquer mudança tiraria o encanto que foi alimentado durante a conquista. É como se para o amante o tempo permanecesse tal como ele é, afinal de contas está tão bom assim para que mudanças? Se a pessoa amada tem lá seus defeitos isso não importa pois as suas virtudes o completam.
Para alguns, a aventura do amor está intrinsecamente ligada à loucura da paixão, ou seja, amar é fazer algo inesperado ao seu amado, é surpreendê-lo com ações que o tornará feliz e o deixará assim convicto de que ele encontrou o ser exato para conviver durante o resto dos seus dias e além da eternidade. Sabemos que está apaixonado é muitas vezes perder a razão e deixar os sentimentos fluírem e apesar de alguns não estarem de acordo com tal comportamento, estou certo que se for praticado de uma forma que venha favorecer os dois lados (ser amado e ser amante) porque não arriscar? Que seja assim então pois no final a recompensa é sempre prazerosa.
Como frisei inicialmente, existem mil formas de demonstrar o amor e veja que citei pouquíssimo, pois quero encerrar falando dos cânticos de amor. Não estou falando de canções ritmadas e sincopadas ou acompanhadas de instrumentos, mas do cântico entoado quando dois corpos estão em puro êxtase e que se encontram num único prazer, o de estarem se amando com a maior pureza dos sentimentos e das intenções. A música do amor é o sussurro pedindo para não parar, é a jura infinita de que um não abandonará o outro nunca, é a vontade de que aqueles instantes não se acabem e é o prazer de estarem ali frente a frente com os corpos colados.
Sem dúvida nenhuma até hoje nenhuma canção feita solitariamente conseguiu reproduzir um cântico de amor a dois regado a intimidades e carícias que não são ensaiadas mas apenas atuadas por duas almas que tem a pretensão impossível de tornarem-se únicas, ou quem sabe três.

Ancarlos Araujo (In: Cartas Para Ninguém. 10/Fev/2008)

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Na Estrada

A vontade de sair do cotidiano e vislumbrar novas paisagens em meio a sentimentos prazerosos nos impulsiona a pegar a estrada, muitas vezes como uma necessidade aventureira de desafiar o novo. Reconheço que eu já tenha feito de moto essa viagem duas vezes, mas desta vez era diferente, pois o desafio agora era encarar a estrada com outro tipo de companhia que não era a que eu já havia me acostumado. Ao invés da pessoa amada que está comigo em todas as empreitadas eu agora dispunha da solidão e embora fosse por pouco tempo eu estava disposto a encarar o desafio.
Como todas as vezes, a ansiedade é sempre a primeira da lista. Com a saída programada para mais ou menos cinco horas da manhã e com o despertador programado para me acordar meia hora antes, às duas horas eu já estava acordando em meio a trovões e relâmpagos que clareavam o quarto. A primeira certeza que estava latente é que eu iria me deparar com uma chuva ao longo do caminho, no entanto, tentei ser otimista ao ponto de não pensar em um temporal como vinha sendo anunciado. Diante disso, tentei me acalmar e deixar que o dia amanhecesse para que a realidade fosse enfim confirmada. Entre duas da manhã até o horário programado de levantar lutei com a ansiedade em meio a alguns cochilos descompassados.
Eis que no celular toca uma música que me surpreende justamente naquele momento em que estamos no sono mais profundo depois de ter almejado quase a noite inteira. Mas o que fazer? O dever me chama e a obrigação me convida. Após preparar a bagagem, que era pequena o que mais pesava eram as expectativas, e depois de beijar a pessoa amada com a promessa de que tudo daria certo e de que o retorno seria em breve, me disperso também do meu felino amigo que já tinha retornado da sua jornada noturna pelo condomínio. A saída foi pontualmente às cinco e meia, agora era só eu, a máquina, a estrada e um destino (Canindé-Ce).
O dia estava amanhecendo e os postes ainda permaneciam com as suas luzes acesas assegurando que se o sol não saísse a iluminação estaria garantida. Os pássaros timidamente cantavam mas ainda temerosos com a chuva que insistia em chegar. Poucos carros na estrada e na serra uma neblina fechada ofuscava a paisagem em meio a um sereno que pouco a pouco se aproximava à medida em os quilômetros se somavam. Juntamente com a música do vento, dentro do capacete uma seleção de músicas que vinham do meu celular se juntavam a alegria de desfrutar as belezas que a natureza proporcionava. Em Maranguape uma pequena chuva se fez em pouco tempo, mas o suficiente para deixar a pista enlameada e o tempo frio. Nas paradas de ônibus as pessoas esperavam suas conduções para os levarem aos seus trabalhos na esperança de que no final do mês seus salários lhes dêem sobrevivência.
A cada paisagem percorrida e à medida que o tempo ia passando novos sentimentos iam se formando e a felicidade de estar ali era empolgante. De repente uma parada à beira do caminho para um alongamento e para ter uma visão de todos os lados do lugar, aquele seria o único intervalo pois a partir dali a viagem seguiria até o destino. Porém ao se aproximar do ponto determinado, com o cessar do sereno, da água acumulada na estrada e ao pressentir o surgimento do sol não resisti em dar uma outra parada, desta vez para vislumbrar lá de cima a cidade com que planejei chegar e para aproveitar para registrar em fotos aqueles momentos que ficam na memória mas que com o tempo vai desvanecendo no esquecimento.
Enfim, o primeiro passo do que foi planejado estava concluído com êxito e agora eu tinha um desafio profissional a desempenhar e que eu não sabia bem ao certo o que iria encontrar, nem ao menos o local. Pedi informações e após a primeira tentativa lá estava a escola a que eu me destinava. A recepção foi calorosa e percebi algo em comum em todas as pessoas em que eu cruzava. Todas elas tinham um sorriso sincero e uma curiosidade em saber o que realmente eu os trazia. A reunião transcorreu em clima de um incessante debate construtivo e as metas traçadas foram conseguidas. Agora o segundo ponto da viagem estava concluído, restava portanto o terceiro e último a se realizar que seria o retorno seguro.
Já se passavam do meio-dia quando após o almoço, me despedi daqueles que me receberam tão bem e agora tinha que retornar. Mas antes de fazer isto eu teria que cumprir um gesto de graças e ao mesmo tempo fazer um pedido que fosse conduzido em paz até minha casa. Desloquei-me até a basílica de São Francisco para fazer minhas orações e ao mesmo tempo renovar minha fé e deixar pendente minhas esperanças em dias melhores. Já eram quase duas horas da tarde quando me preparei para pegar a estrada e em um posto de gasolina, vesti minha capa de chuva, pois ao olhar para o céu era notório o que eu iria me deparar. Liguei para a mulher amada que estava a me esperar e aflita com o que eu ainda iria passar e informei-lhe de que já estava saindo, ela como sempre me deu recomendações de cuidado e nos despedimos com a certeza de que em breve estaríamos juntos.
Após um café e em meio a uma oração peguei a estrada acompanhado de um sereno que em pouco tempo transformou-se em uma chuva que não demorou muito a cessar. Agora eu estava mais tranqüilo pois a volta não necessitava de tanta pressa e a única coisa que eu precisava fazer era aproveitar o prazer daquele instante. Duas paradas, uma para água e a outra para o abastecimento da moto foram necessárias para que precisamente as dezessete horas eu estivesse em casa com a convicção do dever cumprido, a mente acumulada de boas recordações e o desejo de já planejar novas viagens. É como dizem: “Voar não é para quem tem asas, mas sim para quem tem duas rodas”.

Ancarlos Araujo (In: Cartas Para Ninguém. 27/Jan/2008)

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Prova de Amor!!!!

De todos os temas que se tem e o que mais de simples que pode ser conceituado, o amor é sem dúvida o que mais aparente. Vivenciar práticas amorosas ou sentir-se amado é sem dúvida a experiência mais impulsionante para o ser humano. E já que estou disposto a teorizar sobre o amor baseado no que vivo cotidianamente e resultante das constatações práticas ou do que me chega através das mais diversas fontes, tenho certeza que apenas com palavras não se pode chegar a comprovar o verdadeiro sentido do que seja esse sentimento.
A verdade é que não basta falar ou escrever sobre o amor, afinal de contas não se pode chegar à essência das coisas apenas com palavras. É necessário vivenciar as possibilidades que o amor pode te levar quando se está envolto a uma atmosfera onde se respira atitudes e desejos amorosos. O desejo é o ponto de partida para essa empreitada que nos move em querer sempre mais. Assim, não basta amar é necessário incessantemente desejar e está em constante insatisfação para que a vontade se renove sempre.
Talvez ser amado não requeira tanto esforço quanto o de ser o sujeito que ama. Mas como ter algo que não se está disposto a doar? Ou será que o prazer de ser amado se concretiza na satisfação de amar incondicionalmente? E a busca da pessoa amada? Pode resumir-se numa odisséia compulsiva onde todos nós já nascemos premeditados a se lançar em tal jornada?
Perguntas e mais perguntas que muitas vezes nos preocupamos em respondê-las e esquecemos de enxergar os sinais que já possuímos e que já são suficientes para sermos felizes. E que sinais são estes? Acredito que cada um é capaz de detectá-los e de ser capaz de praticá-los em prol de seu bem estar. Sinais estes que estão gravados em qualquer movimento que façamos ou em qualquer pensamento que seja emanado e até mesmo nos traços perfeitos da natureza que representa a manifestação mais significativa da divindade.
Resta então o amor a si mesmo, que se resume em algo que entendemos como sendo o autoconhecimento, pois quem sabe em que consiste a sua essência física e psicológica é capaz de traçar planos de evolução baseado na proteção de si e do outro. A maior prova de amor consiste em constatar que a vida que está sendo trilhada é resultante de ações que possam ser universalizadas e que a vontade de aprender e de fazer o melhor não se acaba nunca. É ter a esperança de que amando o hoje, tenho a possibilidade de perpetuar o amanhã e de ser bem melhor do que já fui ontem, por isso, se não somos capazes de dar provas de amor através de atos e de palavras pronunciadas, iniciemos pelo pensamento, no afã de que através do esforço um dia sem que percebamos, tal prática seja interiorizada em cada íntimo e posteriormente exteriorizada ao outro.

Ancarlos Araujo (In: Cartas Para Ninguém. 20/Jan/2008)

Idéias...

Todas as vezes que me disponho a sentar para escrever, procuro como em forma de um ritual elaborar as idéias que vou expor e de repente deixo os pensamentos fluírem e se mostrarem convertidos em realidades. Parece cada vez mais difícil expressar através das palavras escritas as idéias que suspiram na mente como que incomodadas por estarem presas e não puderam ainda ser manifestadas.
Será que as diferenças podem ser motivadoras de afastamento ou o motivo delas existirem ocorre justamente para que nos conscientizemos da responsabilidade que temos diante da possibilidade do entendimento do outro? Sem dúvida nenhuma quando somos conscientes das nossas próprias falhas e nos esforçamos para torná-las em virtudes passamos a aceitar resignadamente os percalços que possam nos visitar. As idéias movem o mundo, como sempre dizem os teóricos revolucionários, mas estou certo de que para que isso possam acontecer primeiramente elas devem ser capazes de transformar o próprio ser.
Toda vez que acordo e me dou conta de que ainda estou vivo, sinto-me responsável em edificar mais um dia que de forma análoga, pode constituir mais uma página do livro da minha vida ou mais um degrau na subida para a minha própria evolução. É como se uma nova oportunidade tivesse sido lançada constituída de uma nova chance para poder fazer tudo diferente, só que desta vez de forma mais intencional e racional. Meus sonhos da noite anterior muitas vezes são tão reais que tenho até dúvidas se quem sabe eu não tenha vivido ou viverei todos os acontecimentos que se mostraram de forma tão veemente.
Em algumas situações não somos corajosos o suficiente para demonstrarmos de forma clara as nossas idéias e por conseguinte os nossos sentimentos, pois o medo é maior e nos tornamos sufocados com os pensamentos das nossas próprias criações. Não tem importância se vale a pena ou não exteriorizá-los..... Simplesmente recalcamos e sem querer, depois percebemos que aqueles sentimentos que foram colocados “debaixo do tapete” transformaram-se em frustrações e passam a habitar nosso íntimo constituídos de lamentações.
Hoje tenho consciência das minhas limitações e posso até não concordar com a situação em que me encontro, no entanto, me esforço por entender que nem tudo pode ser como queremos, afinal de contas a responsabilidade não pode ser absolutamente atribuída as nossas falhas. Embora eu possa fazer mais e ter o poder de me esforçar mais, nem sempre o que é planejado sai como poderia ser. Por isso, a capacidade de recomeçar e tomar novos caminhos é a principal chave para a abertura de portas existenciais que constituirão a vida como ela precisa ser.
A necessidade da transformação pessoal pode ser manifestada como sendo o poder de reavaliar o que já foi feito, de modificar idéias que já não são consistentes, de adequar ações não cabíveis a situações pertinentes e viáveis. Portanto, o ponto de partida é ter a convicção de que tudo precisa ser construído, pois o que já está edificado pode a qualquer hora ser abalado. E tal construção só pode ser iniciada com o esforço e a motivação de poder fazer algo, seja lá o que for, conquanto que seja na direção certa e que não venha prejudicar aos outros nem a si mesmo.
O temor em viver pode está associada a uma falta de planejamento ou quem sabe a insegurança em não querer assumir seus próprios desafios. Um plano de vida tem a capacidade de fazer com que cada um centre as suas ações naquilo que está prestes a ser alcançado. É como uma competição onde os competidores são desafiados não a vencer, mas sim a completar o percurso. Na vida não importa muitas vezes se somos o primeiro ou o último, se vamos vibrar no podium ou amargar a derrota dos perdedores, o que é mais gratificante é poder ter forças e habilidades para poder percorrer toda estrada e está fortificado para quando chegar ao final, está preparado para um novo recomeço, agora trilhando novos caminhos e vislumbrando novas oportunidades.
Hoje quando reflito sobre o tanto que já conquistei e o que já fiz, tenho a consciência de que com certeza ainda posso fazer mais ao longo da existência que ainda disponho. Posso até repetir despercebido os erros que já cometi, mas procuro perpetuar os acertos como sendo lições e obrigações que precisam ser exercitados. Paro em frente a mim e procuro conhecer essa pessoa que conscientemente me foi dado a oportunidade de controlar as suas escolhas e percebo como ainda tenho muito o que fazer e que posso ser bem melhor do que já fui ontem.
Sendo assim, a cada manhã me renovo na pretensão de que através da minha mudança aqueles que estabelecem um contato com este meu ser possam ter a possibilidade de experimentar uma sensação de algo que não é comum nem óbvio, mas inconstante e sincero.


Ancarlos Araujo (In: Cartas Para Ninguém. 12/Jan/2008)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Eu Espero Acontecimentos

As coisas vão acontecendo e muitas daquelas que estamos esperando insistem em não vir. Parece que tudo está resumido numa repetição de momentos que já estão programados e que no contexto geral consiste em nenhuma novidade. Não sei ao certo se este é o meu momento ou se ainda chegará tudo aquilo que tenho vontade de conquistar. Vejo os meus projetos não serem realizados e as minhas ações que eram potencializadas em verdades tornaram-se constatações frustradas.
Toda vez que penso que dessa vez vai dar tudo certo, parece que uma força contrária insiste em querer se sobressair. Até mesmo aquilo que venho me dedicando no decorrer da minha vida e que aos poucos vai constituindo o meu lado profissional precisa ser reavaliado e a primeira certeza em mente é a de que ainda tenho muito o que aprender e para isso rever alguns dos meus conceitos e aprendizados que penso ser o mais adequado.
Por enquanto, fico aqui a esperar e tentando fazer o que é possível para melhorar a situação em que me encontro. Ao decidir escrever estas idéias, lá fora o tempo corre sem pausar e arrasta as desilusões e os descaminhos daqueles que já não tem esperanças. Ainda tenho esperanças sim e tento sorrir cada vez que o mundo diz não.... Mas está ficando difícil lutar comigo mesmo e a paciência nem sempre é tão generosa com as minhas inquietações. E então, para onde ir? Como ir? E para que ir?
Os meus pensamentos insistem em me incomodar com memórias que muitas vezes embora prazerosas não sejam tão necessárias. Preciso focalizar a atenção para o meu futuro em busca de realizar os meus projetos, no entanto, ainda não sei ao certo qual é o motivo que está impedindo um avançar ou se tudo tem que acontecer lentamente. Viver na solidão e está só é a principal causa da tristeza quando se sabe que existe uma correnteza de pessoas que podemos ou não contar, mas o certo é que em algumas situações tudo é necessário e não pode ser de outra forma. Por isso é que estou tão permeado de descontentamento, pois não consigo enxergar as pequenas conquistas uma vez que pauto as minhas atenções nas grandes realizações que não fui capaz de completar.
Fica por fim a esperança no que pode acontecer mais tarde, ou quem sabe agora, o que desejo é que o fruto dos meus esforços (embora pequenos) possa ser gratificante e refletido naquilo que desejo viver, de forma plena e feliz.


Ancarlos Araujo (In: Cartas Para Ninguém. 28/Dez/2007)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

A Mudança...

Toda mudança gera inicialmente um conflito que muitas vezes se não for bem gerenciada pode ocasionalmente torna-se um trauma ou quem sabe trazer transtornos irreparáveis. A verdade é que por mais que tenhamos a consciência de que estamos plenamente aptos a encarar os desafios, a realidade apresenta-se bem disforme do que poderia ser. Existem aquelas mudanças voluntárias, que provocamos quando já não agüentamos mais viver de forma monótona e o desejo do novo nos leva a agir sempre em busca sair de tal situação. Por outro lado, existe a mudança involuntária, que quando chega não manda aviso e na maioria das vezes nos pega desprevenidos.
Para estes dois tipos de mudanças o que tem que ser levado em consideração não é forma como elas chegam até nós, se estamos preparados ou não para encararmos o novo. O que está em jogo é basicamente o que faremos para interiorizar um novo estilo de vida ou muitas como viveremos abdicando das coisas, lugares, pessoas ou situações que até agora eram comuns ao nosso dia-dia e que de agora em diante não fará mais parte do nosso ciclo de convivência.
O maior desafio de tudo o que pode ser apresentado como alvo de mudança é a insatisfação de não saber em alguns momentos resistir aos anseios que teimam em perdurar e que não encontram espaço de desprezo ou de esquecimento já que se tornaram velhos hábitos e formas de agir pautados no cotidiano cômodo da vida. É claro que tempo pode se encarregar de dar um rumo à esses estímulos através da sucessão inexorável dos acontecimentos e também trazer à tona uma explicação do que foi vivenciado e que ficou perdido nos muitos instantes involuntários. Tudo caminha para esse estímulo de mudança e nada pode de novo ser como era antes.
Sabe que muitas vezes eu mesmo não consigo entender como existem muitas pessoas que vivem fechados em seus mundos torcendo para que tudo permaneça congelado no tempo e no espaço e quem sabe daqui a cem ou duzentos anos a vida permaneça tal qual é neste instante. Pode ser que a minha incompreensão possa está perpassada por uma prática co-relacionada a este estilo de vida. E aí fico a me questionar: será que sou eu que não tenho a pretensão de mudar? Quem sabe mesmo se a resposta for afirmativa, o que de mim não pretendo expressar tal forma, ainda assim serei compulsoriamente arrastado por um turbilhão de novidades como até hoje tem sido. É incontestável as tentativas de se querer transformar a vida... Sejam elas boas ou não tão assim... Por isso mesmo é que a reflexão sobre a vida que levamos tem que ser feita constantemente e de forma realística para que não tenhamos a impressão de estamos sendo vítimas de situações inesperadas quando muitas vezes estamos atuando como os algozes das nossas próprias insatisfações.
Diante de tudo o que ainda pode ser acrescentado, fica a sensação de que por mais que se escreva, as palavras não são suficientes nem muito menos capazes de demonstrar com fidelidade os sentimentos experienciados. Mas como sempre, é mais tácito aos atos permanecerem escondidos e aparecerem dissimuladamente entrecortados de versos e frases do que mostrarem-se de maneira autêntica.
Encarar as mudanças constantes dos outros pode ser um desafio quando não se está disposto a entender que somos o principal reflexo dessas mudanças, ou seja, que é a partir do que fazemos que tudo ao nosso redor passa a se comportar através de freqüências constantes dos pensamentos, dos gestos e das palavras. É imprescindível a vontade de querer o melhor e se esforçar para fazer acontecer. Dessa forma, o que poderia ser uma mudança pode transformar-se em uma atitude comum, ou seja, quando estamos preparados para o que der e vier, trazemos conosco a aptidão para aceitar o que não pode ser mudado e correr atrás do que está prestes a acontecer.
Uma outro questão que pode ser acrescentada é que muitas vezes não estamos imune a tais mudanças, sejam elas voluntárias ou não, o que podemos fazer com essas mudanças é que podem interferir no nosso modo de agir. Basta entender que para algumas situações, mesmo com ou sem a nossa intervenção tudo vai ser preciso acontecer já que estão fora do nosso poder e temos apenas que está preparados para agir, mas não temos o direito de desistir, já que quando estamos agindo muitas possibilidades podem vir à tona e tornarem-se verdadeiras oportunidades.
Posso não está disposto a levar adiante algumas mudanças que proponho empreender, já que uma série de situações se intercalam, muitas vezes na tentativa de frustrar tais intenções. No entanto, até o momento posso contar com uma fortaleza que embora momentânea pode futuramente tornar-se um sustentáculo duradouro.

Ancarlos Araujo (In: Cartas Para Ninguém. 06/Dez/2007)

O Que se Quer...

Tudo o que quero nesse momento é um pouco de liberdade para poder ser o que realmente preciso ser. Sempre que me deparo com a vida e encaro-a de frente ela me diz que eu não vou conseguir aquilo que mais quero e acima de tudo o que mais necessito.
Se eu pudesse fazer somente o que gosto e não o que tenho que justificar para os outros, com certeza eu não estaria aqui e talvez me tornasse o resultante do que agora estou a carregar como sendo a minha existência e não a minha vida. Parece que tudo o que mais persigo é o que mais se distancia da minha conquista. A vontade que tenho é de gritar para todos e para tudo aquilo que não aceito e que está a me perturbar, mas o silêncio sempre que se faz presente insiste em me convencer de que tudo vai ser resolvido pelo simples fato de deixar como estar.
Quem sabe o que eu quero não me quer ou ainda eu não mereço tanta coisa assim como imagino ser capaz de conseguir? Sei que a coisa mais difícil de se fazer é tomar uma atitude quando se tem muitas escolhas a fazer, no entanto, também sei que se eu trilhar qualquer caminho que por mim foi traçado tenho que ser forte para suportar as conseqüências que me venham afligir. Às vezes penso que estou prestes a explodir e que não vou agüentar tanta pressão... Mesmo sabendo que fui o causador de tamanha situação ainda assim procuro remediar o que muitas vezes não tem solução e fico à mercê de tamanha insatisfação e angústia pelo momento que estou a vivenciar.
Sabe de uma coisa!!! Nem sempre podemos ser o queremos e mais ainda nem sempre somos capazes de aceitar os outros como eles são e de nos aceitarmos como sendo aquilo que nos transformamos, pois somos incapazes de perceber que não temos a coragem de fazer aquilo que realmente queremos fazer, pois somos covardes diante da realidade que nos apresenta. E é por isso que estamos sempre a dissimular os nossos atos e a encenar um papel que nem precisa existir para ser demonstrado que tudo não passa de uma alegoria repleta de insinuações e fingimentos.
Toda vez que procuro me acomodar diante das situações que estou vivenciando, mesmo que não seja aquilo que necessito, me sinto como que atingido por uma força estranha a me dizer que, muitas vezes o que eu quero não é o que eu posso ter e que mais ainda o que eu tenho não foi fruto da minha insistência e sim de uma dádiva que não tive a perspicácia de compreender o sentido de tudo o que fui merecedor. No fundo, quando tudo precisa ser encerrado eu não encontro forças para aceitar e entender que o meu tempo já esgotou e que todas as oportunidades já foram lançadas ao ar e que não podem ser aproveitadas. Posso até não saber o quero más diante de tanta insatisfação que já vivenciei nessa vida posso dizer que não quero de volta tudo aquilo que para mim só me fez sofrer.
Ancarlos Araujo (In: Cartas Para Ninguém. 15/Nov/2007 )

O Que Não Pode Ser

De todas as coisas que queremos, nem sempre conseguimos conquistá-las com o afinco que almejamos. As perspectivas em fazer com que todos os nossos desejos sejam atendidos podem nos levar a uma frustração quando pelo menos aquele que poderia ser o mais adequado tivesse se concretizado. Tudo está no campo da vontade e nem tudo poder ser como é, mesmo que façamos de tudo e que todos os nossos esforços estejam centrados para o que poderia ser.
A única certeza é que no final das contas temos que arcar com a impossibilidade de sermos incapazes de vivenciar aquilo que mais queremos. E aí de repente nos vemos cercados de pessoas, de coisas e de acontecimentos indesejáveis sem que ao menos por um momento nos sintamos capazes de parar para refletir até onde isso vai nos levar. O campo das possibilidades pode ser fascinante quando nos reporta a uma realidade que esperamos, no entanto, mesmo com a preterida escolha e a oportunidade de fazer acontecer isso não se revela de uma forma prazerosa.
Será que o que não poder ser é o que se tornou possível no passado e que não tivemos a perspicácia de aproveitar? Ou será que é o que ainda vai acontecer más que não pode ser, pois estamos despreparados para receber? Sei lá!!!!! O que nesse instante me atormenta é o fato de não ter conseguido tudo aquilo que venho tentando por muito tempo e ao longo de muitos esforços. Tudo parece tão irreal e ao mesmo tempo é tão notório que prefiro fechar os olhos e vislumbrar uma vida que não existe. Tudo pode está relacionado a destino, a liberdade, ao determinismo e ao necessário. Será que tudo está mesmo determinado e que não pode ser de outra maneira? Será que tenho que passar por tudo isso e no final de tudo assistir ao filme da minha vida com a frustração que é inerente quando se percebe que tudo poderia ser bem diferente se eu tivesse feito outras escolhas?
Ou preciso ter esperanças de que o meu livre-arbítrio ainda me levará a um estado de espírito e de vivência que para mim será o adequado desde que eu compreenda que estou no caminho certo? Então paremos um pouco para percebermos os acontecimentos que nos cercam e aí sim sentiremos que tudo é mudança e que destas transformações quem sabe não poderão nos lançar ao que para nós pode ser? Parece que ao longo desse escrito tenho feito mais questionamentos do que ter trazido explicações. Más, o que tenho a propor nesse instante é tão pouco diante dessas interrogações que o tempo persiste em respondê-las de forma tão demorada que muitas vezes me sinto de mãos atadas e com o grito amordaçado. Sei que posso fazer muito mais do que fiz, más por outro lado não tenho a certeza se ainda posso esperar tanto como venho fazendo até agora.
Por isso, deixo que o daqui a pouco aconteça para que se complete aos meus instantes já vividos e tornem-se em algo que mais tarde chamarei de “minha vida”.
Ancarlos Araujo (In: Cartas Para Ninguém. 06/Out/2007)

As Tentativas de Mudança

Os meus defeitos ainda são tantos diante do que quero alcançar, no entanto, aos poucos eles estão se apresentando e pedindo para serem transformados, clamando por uma renovação. Penso que os primeiros passos já estão sendo dados, há tempos venho com o propósito de melhoramento fazendo com que os empecilhos sejam superados.
Parece que alguns desses meus defeitos ainda insistem em permanecer e eis que é a partir dessa situação que se inicia a luta entre tudo o que venho fazendo para ser melhor e as antigas práticas que não me satisfazem. De todas as oportunidades que temos na vida, acredito que a de fazer a escolha certa é uma das poucas que ainda temos. Mudar significa ir em busca dessas perfeitas escolhas que podem se tornar uma busca constante. Buscamos ser felizes e está em paz com tudo o que nos rodeia. A vida em si já é uma dos mais emocionantes e inexoráveis desígnios que almejamos e que desfrutamos quando se tem a consciência de saborear cada detalhe que muitas vezes passa despercebido.
O compromisso da tentativa perpassa todo o caminhar rumo a um estado de perfeição, pois quando estamos convictos do que realmente precisa ser feito basta traçarmos as estratégias e deixar os pensamentos e as palavras transformarem-se em ações que serão o sustentáculo para uma vida mais virtuosa. Tentamos tudo, até o não tentar vira uma tentativa de esperar pelo imprevisto e mudar a dinâmica dos acontecimentos envoltos as relações entre pessoas agradáveis ou não, amadas ou amantes.
Sei que posso ser hoje melhor do que fui ontem e que tenho o dever de me transformar para assim tornar o mundo mais habitável, sem o ódio que corrói os corações inocentes, sem a vaidade que fere o íntimo dos fracos, sem o orgulho que maltrata os pensamentos dos que estão sedentos, sem a raiva que abala os que trazem a paciência, sem a maldade que atrasa a marcha dos que tem a consciência tranqüila e sem a hostilidade que inunda a gentileza dos humildes.
Espero que o que hoje estou expressando em palavras torne-se práticas habituais e que do plano que apenas almejo se transporte para o realizável para que entre quedas e acertos a possibilidade de renovação seja um instrumento da esperança.

Ancarlos Araujo (In: Cartas Para Ninguém. 04/Nov/2007)

A Queda...

Sempre que buscamos fazer uma avaliação da vida, os erros e os acertos são ponderados para que no final das contas possamos nos orgulhar de que os acertos foram muito maiores e que pouco erramos, levando assim a falsa impressão de que somos seres infalíveis e que são os outros os culpados pelos nossos momentos de infortúnio.
O ditado popular assevera que temos que aprender com os nossos erros e que se cairmos devemos “sacudir a poeira e dar a volta por cima”, no entanto, o que penso é que para dar uma reviravolta depois de uma queda é muito difícil, principalmente quando não se tem alguém ou algo para se utilizar como escada. É isso mesmo... Em algumas circunstâncias devemos utilizar escadas e em outros sermos os próprios degraus. A vida é assim, nos coloca em situações diametralmente opostas onde em um determinado instante estamos lá em cima para podermos vislumbrar as paisagens que se encontram lá em baixo e que estão bem além do horizonte. Em outros momentos parece que servimos de piso (ou alicerce) para que os outros sustentem a sua existência temporariamente enquanto nos preparamos para o alçar vôo.

No instante em que escrevo, muitas idéias me vêm a cabeça sobre o que vivi ultimamente, das pessoas que me disseram algo e que no final restou apenas uma palavra significante, dos livros que leio e que no final não entendo nada, dos filmes que me vejo como personagem principal ou das músicas que escuto e que me sinto como co-criador, pois falam realmente o que estou sentindo ou do que eu queria sinceramente viver. Ou quem sabe dos lugares que freqüento, onde alguns deles já foram retratados nos meus sonhos e agora me vem como um dejá vu.
Eu poderia está me lastimando pelas mágoas que insistem em ficar estagnadas ou pelos remorsos de tudo o que não consegui realizar, más estou tentando fechar todas as portas do passado e enfim encerrar os capítulos da minha vida que ainda estão à espera de desfecho. Mesmo que não tenha sido satisfatório o importante é que foram vividos e que preciso fazer alguma coisa desses fatos que hoje herdo.
Tudo passou, e se lágrimas caíram dos meus olhos foi para mostrar que a partir de então uma nova vida repleta de potencialidades está para começar e que o meu pranto não é duradouro, e mais ainda, se sou merecedor do que no ainda não consegui é que o momento certo está porvir. Caí sim, más quem nessa vida de atropelos por um instante não se descuida e quando percebe está no chão? A diferença entre tantos outros é que não tive tempo de ficar no chão procurando espaço para me acomodar, levantei e segui o meu rumo. Hoje me sinto melhor do que fui ontem pois tenho a capacidade de refletir e trilhar outros caminhos.

Ancarlos Araujo (In: Cartas Para Ninguém. 30/Out/2007)

Depois dos Trinta

No início tudo parecia não haver a necessidade de contabilizar os dias e transformá-los em anos bem ou mal vividos. Quando cheguei aos trinta confesso que me senti um pouco incapaz ou sei lá, no fundo eu sentia que muitos planos que não foram concretizados ficaram sufocados em meio a muitas realizações não esperadas.
Hoje estou prestes a completar dois anos que transcorreram todas essas sensações e sinceramente não sei bem ao certo se os caminhos trilhados no decorrer dessa existência poderão tornar-se estradas pavimentadas e estruturadas pelos fatos da realidade que a todo dia me chegam. Mesmo sabendo que tive quase tudo o que necessitava para poder ter feito algo mais, é justamente esse quase que está emperrado e que prende às possibilidades de novas ações.
Há alguns dias que uma idéia me persegue e ela tenta me mostrar que preciso esperar pelos acontecimentos e a partir desse instante fico a espreita da oportunidade de fazer vir à tona o que precisa ser realizado. De agora em diante posso até considerar essa nova fase da vida como um ritual de passagem que precisa ser sacralizado em todas as etapas para que a novidade chegue prontinha para ser refeita ou quem sabe até mesmo desconstruída, afinal, qual seria a razão de viver senão a oportunidade de poder fazer tudo de novo, de recomeçar e de continuar aquilo que precisa ser feito? Assim, passo então a agir de maneira tal que aquilo que me impressiona é o simples fato de está em contato com imprevisível.
Certa vez fui obrigado a externar uma frase que em uma parte estava explicitada alguma coisa que se referia aos “caminhos por onde andamos.” E hoje, depois de tanto tempo ainda fico a me perguntar qual seria mesmo o significado de tudo aquilo. Ou mais precisamente, o que estas palavras fariam sentido no instante presente. Penso que sou um viajante que encontra muitas dificuldades ao longo de sua trajetória, mas que aparentemente se contenta facilmente com a resignação que ainda lhe resta, ou quem sabe, que em algum ponto do caminho tem que parar um pouco e esperar até que as condições adversas sejam amenizadas a ponto de trazer encorajamento para poder seguir adiante.
Finalmente, o único presente que ganho no dia de hoje é a capacidade de voltar ao passado e trazer os bons momentos na lembrança e tentar não esquecê-los. Pode ser que outros instantes melhores ainda me esperem, por isso, deixo acontecer. Ou em determinados instantes, faço acontecer.


Ancarlos Araujo (In: Cartas Para Ninguém. 18/Set/2007)

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

A Esperança no Amanhã...

A esperança consiste principalmente em ser paciente e saber que algo está para acontecer, e se esse algo será bom ou ruim somente o futuro poderá transformá-lo em realidade. Às vezes fico ansioso em querer que as coisas aconteçam imediatamente, más não sei ao certo como torná-las reais. Pode ser que o meu passado não me pertença mais enquanto tentativa de poder fazer com o que vivi volte a acontecer com a mesma intensidade, no entanto, posso inferir que na minha memória alguns resquícios em forma de lembrança ainda estão vivos e latejando de vez em quando como se tudo pudesse acontecer novamente de uma maneira diferente.
Se eu tivesse a chance de fazer tudo de novo, com certeza tomaria outros rumos, faria outras escolhas e até mesmo viveria sem me preocupar com o amanhã. Más, é justamente esta incerteza que me faz seguir confiante de que um dia a minha ansiedade quanto o que poderá me acontecer possa tornar-se numa grande calmaria existencial.
Para falar a verdade, nem mesmo sei como sustentar estas expectativas, se nos outros ou se em mim mesmo, ou quem sabe numa vida carregada de monótonos instantes que de tão superficiais passaram a ser descartáveis pelo pouco valor tem. Queria acreditar que um presente infinito é mil vezes melhor do que um minuto de futuro incerto, se este vir carregado de uma dor injustificada. No fundo não sabemos ao certo, para que mesmo tanta reflexão acerca do viver e como deve ser a vida, como se fosse possível criar um padrão para que todas as pessoas pudessem seguir. Acredito que avaliar o que já passou torna-se mais viável do que sofrer por aquilo que nem está prestes a ocorrer e é por esse fato que em alguns instantes eu fico a me questionar se os hedonistas não estavam certos quando defendiam o prazer como algo a ser perseguido e usufruído.
Más, de que prazer podemos nos referir hoje em dia se vivemos em meio a pessoas e acontecimentos tão desagradáveis? A resposta a isso somente pode ser dada a partir do momento em que nos sentimos seguros de que o meu amanhã não comprometerá aqueles que sonham em viver o agora. Saber o que se quer já é o primeiro passo, mas não querer nada é um retrocesso, pois com isso nos tornamos seres perdidos nas ilusões das promessas inconsistentes. O amanhã depende de mim sim, depende das minhas escolhas com toda a certeza más as frustrações ou os sentimentos de perda somente poderão ser vivenciados no instante em tudo se passou e o que realmente ficou foi a vontade não voltar mais e a convicção de que algo novo vai acintecer.

Ancarlos Araujo (In: Cartas Para Ninguém. 03/Set/2007)